

O talento não deveria comprar absolvição
O Brasil tem uma relação interessante com seus ídolos no futebol. Quando alguém demonstra um talento extraordinário, passamos a tratá-lo como se esse dom fosse uma espécie de salvo-conduto moral. A qualidade passa a funcionar como uma licença sem limites. É um fenômeno que atravessa o futebol, a política, os negócios e até o nosso cotidiano. Nos últimos anos, ouvimos inúmeras vezes a mesma frase: "Setenta por cento do craque ainda é melhor do que qualquer outro jogador." Talv


A conta que poucos fazem
Tenho em casa dois equipamentos da mesma marca. Um deles foi comprado em 2008. O outro, em 2012. Ambos continuam funcionando bem. Muito bem. Um terceiro, adquirido em 2019, apresentou uma falha séria em apenas dois anos. Essa constatação me fez pensar: o que realmente determina a longevidade de um produto? A resposta mais fácil seria dizer que as coisas antigamente eram melhores. Mas respostas fáceis costumam esconder questões complexas. Os três produtos foram fabricados pela


Amizades de passagem
Vire e mexe uma pergunta me vem à mente: por que algumas amizades passam por nossas vidas e, quando percebemos, já seguiram outro caminho? Não há briga. Não há rompimento. Não há decepção. Em muitos casos, sequer há despedida. A vida simplesmente segue. Durante anos convivemos diariamente. Compartilhamos projetos, viagens, alegrias, preocupações, sonhos e dificuldades. Pareciam personagens permanentes da nossa história. Hoje não sabemos onde moram. Não conhecemos seus novos a


Os anos "UAU"!
Há uma sensação curiosa que só o tempo é capaz de nos proporcionar. Quando estamos vivendo um grande momento profissional, quase nunca percebemos sua importância. Estamos ocupados demais trabalhando, resolvendo problemas, entregando resultados, lidando com prazos, conflitos, expectativas e desafios. Estamos dentro da história. Não temos a distância necessária para enxergá-la. Só anos depois, olhando para trás, é que algumas fichas começam a cair. Ao revisitar minha trajetória


Não é possível agradar a todos
Há frases tão repetidas que acabam perdendo a força. "Não é possível agradar a todos" talvez seja uma delas. Ouvimos essa máxima desde a infância, concordamos com ela racionalmente e seguimos em frente. No entanto, basta observar a vida pública, o ambiente corporativo ou mesmo as relações pessoais para perceber que compreendê-la intelectualmente é muito mais fácil do que aceitá-la emocionalmente. Ela está presente na política, nos negócios, nas artes, nos esportes, nas famíl


Quem ainda nos inspira?
Quem influenciava no passado? Na música, Bach, Beethoven, Vivaldi, Tchaikovsky. Mais tarde vieram os Beatles, os Rolling Stones, Led Zeppelin. Nas artes plásticas, Goya, Michelangelo, da Vinci, Picasso, Salvador Dalí. Na literatura, Dostoiévski, Victor Hugo, Orwell, James Joyce. No teatro, Stanislavski, Shakespeare, Flávio Rangel, Plínio Marcos. Foram muitos. E de todos os segmentos da sociedade. Não eram só famosos. Eram referências. Gente que provocava desconforto intelectu


Idosos ainda rolam as pedras
Em 1995, quando os Rolling Stones desembarcaram no Brasil para a turnê de Voodoo Lounge, muita gente repetia a mesma frase com aquela certeza de quem acredita entender o futuro: “acabou”. Diziam que estavam velhos demais. Que já tinham entregado tudo. Que era uma banda sobrevivendo da própria nostalgia. Trinta e um anos depois, eles seguem ativos, lançando álbum, lotando estádios, fazendo shows de quase três horas e obrigando o mundo a encarar uma nova realidade: talvez a ida


Convocados
Toda vez que uma grande empresa anuncia uma reestruturação, existe um momento silencioso que lembra muito a convocação da Seleção para a Copa do Mundo. As pessoas param. Observam os nomes. Tentam entender a lógica. Procuram coerência entre discurso e escolhas. E quase sempre surge a mesma sensação que hoje ronda a lista da CBF para 2026. Buscamos razões, mas principalmente critério. Carlo Ancelotti foi inteligente ao admitir que a equipe não é perfeita. Nenhuma é. Nem no fute


Acordo Mercosul-UE. Quando o protecionismo fecha fronteiras, quem paga é o consumidor
Há debates que parecem técnicos, restritos a diplomatas, ministros e especialistas em comércio exterior. Mas alguns deles atravessam a mesa do jantar, o carrinho do supermercado, a indústria do bairro, o emprego da próxima geração e até a capacidade de um país sonhar grande. O acordo entre Mercosul e União Europeia, ainda à espera de etapas decisivas de aprovação no parlamento europeu, é um desses casos. Fala-se de tarifas, regras sanitárias, quotas e cláusulas regulatórias.


Potência e juízo
Em 1959, o lançamento do IBM 1401 provocou um verdadeiro furor no ambiente corporativo. Era um marco. Empresas que até então operavam no limite da organização manual passaram a enxergar uma nova fronteira de eficiência. O investimento não era trivial. O equipamento podia custar na casa de US$ 500 mil a US$ 1 milhão, dependendo da configuração, embora muitos optassem pelo modelo de locação, comum à época. Ocupava uma sala inteira, era barulhento, exigia operadores especializad



























































