

Reputação na era da desconfiança: o que está mudando na Comunicação
A reputação das organizações nunca foi tão medida e, ao mesmo tempo, tão frágil. Em diferentes pesquisas ao redor do mundo, cresce a percepção de que reputação deixou de ser uma consequência simpática de fazer o bem e passou a ser um ativo estratégico, monitorado com a mesma disciplina com que se acompanha fluxo de caixa ou share de mercado. Nesse movimento, a comunicação deixou há muito tempo de ser a área que embelezava a imagem para assumir um lugar mais incômodo: o de es


O ensino que atravessa
Hoje é um dia feliz. Pelo menos para mim. Vai ter aula na turma da Escola Aberje de Comunicação , no módulo de Advocacy e Lobby nas Redes Sociais, do Curso de Relações Institucionais e Governamentais, coordenado pelo Carlos Parente . Esta semana estarei com ele e com Neivia Justa para explorar um pouco desse jogo que é o advocacy nas redes. Jogo que muda rápido, exige atenção, repertório e, sobretudo, troca. Ensinar é uma conexão humana que realiza. É quando a experiência


A outra medida do valor
Há uma discussão silenciosa ganhando corpo dentro das organizações. Por muito tempo, produtividade foi traduzida em métricas que, embora neutras na aparência, acabaram favorecendo perfis mais jovens. Velocidade como parâmetro absoluto, disponibilidade irrestrita como sinônimo de comprometimento, profundidade técnica como um requisito inflexível num mundo em que a tecnologia muda mais depressa do que qualquer ser humano consegue acompanhar. Nada disso foi criado para excluir.


Nem toda verdade precisa ser dita. Mas toda verdade precisa ser bem dita
No ambiente corporativo, essa frase costuma gerar ruído. E é justamente por isso que ela importa. Enrique Sueiro , uma das maiores referência de Comunicação na Espanha, costuma lembrar que “a verdade só funciona quando é suportável”. Não é relativizar fatos. É reconhecer que nenhuma verdade é eficaz se quem a recebe não está emocionalmente preparado para absorvê-la. Confidencialidade não é omissão culposa. Também não é mentira. É governança. É responsabilidade com pessoas, r


Você tem que me ajudar a te ajudar
A frase, dita quase como piada em Tropa de Elite, virou retrato incômodo de uma cultura que fingimos não ver, mas que atravessa o dia a dia. Não é só bordão de um filme. É a senha informal de um sistema em que favores pessoais valem mais do que regras e onde combinados de bastidor atropelam qualquer tentativa de construir um país mais sério, previsível e minimamente ordeiro. A malha fina dessa prática revela um país onde a ordem é desafiada por interesses privados e se transf


O soldado de superfície
A inspiração para este artigo veio de um post sensível da Ana Lucia Bacchelli , que reacendeu uma discussão urgente: a presença, ainda surpreendentemente comum, do profissional de aquisição de talentos que atua como um soldado de superfície. Alguém que se deslumbra com a embalagem e negligencia o conteúdo. No dia a dia corporativo, essa figura continua se guiando por perfis impecáveis, discursos lapidados e reputações digitais tomadas como credenciais absolutas. É a lógica d


Dinheiro não compra o que nos torna humanos
O recente caso da torcedora catarinense demitida após cometer atos racistas em um jogo do Avaí reacende uma verdade incômoda: nenhum salário, por mais elevado, compra aquilo que sustenta a vida em sociedade. O contraste entre sua posição profissional e a agressão moral que protagonizou expõe o equívoco de confundir sucesso financeiro com educação e nos obriga a revisitar valores que deveriam ser inegociáveis. Esse episódio ganhou força porque toca em situações que todos recon


Inteligência rara ou teatro de poder disfuncional?
A análise social parece estar exigindo menos celebração das lideranças e mais investigação das aberrações. Quando alguém se coloca acima das regras, aquelas que sustentam a convivência institucional, e justifica sua transgressão com argumentos simbólicos ou curiosos, estamos diante de uma encruzilhada filosófica e biológica. Darwin já nos ensinou que a sobrevivência, em muitas espécies, segue vias tortuosas. Nem sempre vence o mais forte, mas o mais adaptável ao ambiente de c


O tempo ao alcance das mãos (PARTE 2)
A Revolução Francesa ainda pulsava quando decidi ficar mais uma noite em Paris. Era julho de 1789 e o ar tinha cheiro de expectativa. E de medo. Decidi ficar mais dois dias depois da queda da Bastilha. A cidade parecia caminhar sobre cacos. Ruas tomadas por rumores, cafés lotados de gente comentando o que poderia vir. O extraordinário acontecia no detalhe. Homens discutiam direitos como quem discute pão, mulheres defendiam a própria voz, jovens anotavam tudo em folhas que tal


O tempo ao alcance das mãos (PARTE 1)
Desde pequeno a imaginação me leva longe daqui. Não se trata só de um lugar, mas de quando. A chance de atravessar o tempo como quem atravessa uma porta sempre mexeu comigo. Não era fuga, era fascínio puro. Pode ser que essa vontade tenha nascido nas séries como O Túnel do Tempo e A Ilha da Fantasia. Não perdia um capítulo. Elas me faziam acreditar que a qualquer momento poderia tropeçar em um portal escondido no quintal. Mas foi quando De Volta para o Futuro chegou, há exato





























































