Quem puxa a fila quando o mundo corre?
- Luis Alcubierre

- há 3 horas
- 2 min de leitura
Toda tendência nasce antes de ser nomeada. Ela começa quase sempre de forma silenciosa, em um gesto, uma escolha, um desvio do óbvio. Só depois vira pauta, um “novo normal”. E aí surge a pergunta que volta e meia nos fazemos: afinal, quem cria tudo isso?
Os trend setters não são, necessariamente, os mais barulhentos. Em essência, eles operam na fronteira entre sensibilidade e leitura de contexto. Enxergam antes porque observam melhor. Captam o espírito do tempo, o zeitgeist, e traduzem isso em comportamento, linguagem, estética e atitude. Não criam tendências sozinhos, mas elas só se consolidam quando encontram eco no coletivo.
Definir uma moda não tem a ver só com criatividade. Tem a ver com legitimidade. O trend setter é percebido como alguém coerente, autêntico, consistente. Ele não “veste” algo para aparecer. Aparece porque veste aquilo que faz sentido para a história dele. É por isso que tantas tentativas artificiais de lançar tendências fracassam, porque falta verdade e lastro.
Mas por que o ser humano precisa tanto do novo? Porque o novo é promessa. É esperança disfarçada. O novo nos dá a sensação de movimento, de atualização, de pertencimento a um tempo que avança. Em um mundo acelerado, parar equivale, ainda que injustamente, a ficar para trás. Seguir tendências é, para muitos, uma estratégia inconsciente de sobrevivência simbólica.
E aí entram os papéis complementares do ecossistema. Há quem precise aparecer. Não por vaidade pura, mas por necessidade de validação, reconhecimento, identidade. A visibilidade funciona como espelho: “eu existo porque sou visto”. Em paralelo, há quem precise seguir. Porque seguir reduz risco. Dá conforto. Alivia a angústia da escolha. "Se muitos estão indo, deve ser o caminho certo".
Mas há também um terceiro grupo, frequentemente esquecido: os que não querem aparecer de jeito nenhum. Pessoas que exercem influência silenciosa. Que impactam círculos menores, porém profundos. Que não performam, não disputam atenção, não entram no jogo da exposição constante.
O mundo das tendências é, portanto, menos glamouroso e mais humano do que parece. Ele revela inseguranças, desejos, carências, aspirações. É um espelho escancarado da nossa necessidade ancestral de pertencer a um grupo, de ser reconhecido, de não caminhar sozinho.
A redes sociais potencializaram tendências, democratizaram vozes, mas também criaram um ambiente de hiperexposição, ansiedade comparativa e ciclos cada vez mais curtos de relevância. Tendências hoje nascem e morrem em dias.
Talvez o próximo movimento não seja tecnológico, mas humano. Um retorno à curadoria, ao silêncio estratégico, à relevância com propósito. Menos volume, mais significado. Menos gente tentando aparecer, mais gente tentando sustentar o que diz e o que faz.
No fim, tendências vêm e vão. O que permanece é a necessidade de sentido. E isso, definitivamente, não se cria com algoritmo. Se constrói com coerência, tempo e humanidade.






























































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