Dinheiro não compra o que nos torna humanos
- Luis Alcubierre

- há 5 dias
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O recente caso da torcedora catarinense demitida após cometer atos racistas em um jogo do Avaí reacende uma verdade incômoda: nenhum salário, por mais elevado, compra aquilo que sustenta a vida em sociedade. O contraste entre sua posição profissional e a agressão moral que protagonizou expõe o equívoco de confundir sucesso financeiro com educação e nos obriga a revisitar valores que deveriam ser inegociáveis.
Esse episódio ganhou força porque toca em situações que todos reconhecemos. Está no motorista do carro de luxo que não permite a travessia da criança na faixa, na pessoa de postura impecável que joga a bituca de cigarro na calçada; no cidadão influente que se sente no direito de humilhar quem o atende e, claro, no racismo, na xenofobia e na misoginia estruturados. São pequenos gestos que revelam grandes lacunas internas. E essas lacunas não têm origem no saldo bancário, mas na ausência de referências éticas desde sempre.
A psicologia social reforça que valores como respeito, empatia e responsabilidade são aprendidos no cotidiano, não adquiridos com dinheiro. Eles nascem do exemplo, na família, na comunidade, nas conversas que moldam caráter. Não por acaso, o psicólogo norte-americano Carl Rogers lembrava que “o comportamento é guiado pelas percepções e valores que a pessoa construiu ao longo da vida”. Essa formação antecede o currículo, o cargo e qualquer prêmio. Onde há coerência moral, há civilidade; onde não há, multiplicam-se distorções.
Por isso, o episódio no estádio deve ser visto menos como espetáculo punitivo e mais como alerta. Não sobre uma pessoa, mas sobre a cultura que construímos. Se continuarmos associando prosperidade à virtude, seguiremos perplexos diante de comportamentos que expõem nossa desconexão coletiva.
A educação que realmente transforma não exige fortuna. Exige consciência. Exige a humildade de reconhecer que convivência é prática diária. E exige o entendimento de que, por mais distintas que sejam nossas crenças, somos iguais na condição humana.
Talvez essa seja a principal lição. Sucesso não define caráter. Caráter define o mundo que deixamos. A escolha, como sempre, é nossa.






























































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