

Idosos ainda rolam as pedras
Em 1995, quando os Rolling Stones desembarcaram no Brasil para a turnê de Voodoo Lounge, muita gente repetia a mesma frase com aquela certeza de quem acredita entender o futuro: “acabou”. Diziam que estavam velhos demais. Que já tinham entregado tudo. Que era uma banda sobrevivendo da própria nostalgia. Trinta e um anos depois, eles seguem ativos, lançando álbum, lotando estádios, fazendo shows de quase três horas e obrigando o mundo a encarar uma nova realidade: talvez a ida


Convocados
Toda vez que uma grande empresa anuncia uma reestruturação, existe um momento silencioso que lembra muito a convocação da Seleção para a Copa do Mundo. As pessoas param. Observam os nomes. Tentam entender a lógica. Procuram coerência entre discurso e escolhas. E quase sempre surge a mesma sensação que hoje ronda a lista da CBF para 2026. Buscamos razões, mas principalmente critério. Carlo Ancelotti foi inteligente ao admitir que a equipe não é perfeita. Nenhuma é. Nem no fute


Acordo Mercosul-UE. Quando o protecionismo fecha fronteiras, quem paga é o consumidor
Há debates que parecem técnicos, restritos a diplomatas, ministros e especialistas em comércio exterior. Mas alguns deles atravessam a mesa do jantar, o carrinho do supermercado, a indústria do bairro, o emprego da próxima geração e até a capacidade de um país sonhar grande. O acordo entre Mercosul e União Europeia, ainda à espera de etapas decisivas de aprovação no parlamento europeu, é um desses casos. Fala-se de tarifas, regras sanitárias, quotas e cláusulas regulatórias.


Potência e juízo
Em 1959, o lançamento do IBM 1401 provocou um verdadeiro furor no ambiente corporativo. Era um marco. Empresas que até então operavam no limite da organização manual passaram a enxergar uma nova fronteira de eficiência. O investimento não era trivial. O equipamento podia custar na casa de US$ 500 mil a US$ 1 milhão, dependendo da configuração, embora muitos optassem pelo modelo de locação, comum à época. Ocupava uma sala inteira, era barulhento, exigia operadores especializad


O cotidiano da barbárie
Quatro episódios recentes ajudam a revelar algo mais profundo do que o mero absurdo cotidiano. Em Brasília, uma cliente agrediu uma atendente de lanchonete após receber um sanduíche com cebola, ingrediente que havia pedido para retirar. Em São Paulo, uma mulher atacou um cabeleireiro com uma faca pelas costas, insatisfeita com o resultado da franja e frustrada por não obter retorno via WhatsApp. Em Catanduva, pais invadiram o campo e agrediram o árbitro após uma partida de f


O afeto que não se explica
Há tristezas que chegam e nos surpreendem pela intensidade. Não porque perderam lugar central na nossa rotina, mas justamente porque ocupavam um espaço discreto, silencioso, quase invisível aos olhos apressados. Esta semana recebi a notícia da morte do Claudio, profissional que trabalhava na limpeza do meu prédio. Fiquei verdadeiramente tocado. Claudio não fazia parte do círculo clássico das relações que costumamos listar quando pensamos em vínculos "importantes". Nossos enco


A voz necessária
Chega uma hora em que falar o que sentimos parece sinônimo de autenticidade. Como se toda emoção merecesse imediata tradução em palavras. Mas a maturidade ensina outra lição, menos impulsiva e mais sofisticada: na hora de falar, nem sempre deve ser expresso o que se sente, mas o que precisa ser dito. Essa diferença, aparentemente simples, separa o impulso da responsabilidade. Sentir é legítimo. Todos sentimos irritação, vaidade ferida, ciúme, medo, desejo de revanche, necessi


A voz da ordem
Algumas falas, quando terminam, são rapidamente esquecidas. Outras permanecem porque recolocam ideias no lugar. O pronunciamento do Rei Charles III no Congresso dos Estados Unidos, nesta terça-feira, teve esse efeito raro. Em meio a uma era marcada por impulsos, hostilidade performática e debates convertidos em entretenimento, surgiu uma voz serena, ancorada na história e no senso institucional. Ao ouvi-la, muitos recordaram um tempo em que a palavra pública ainda buscava el


Cansei de escrever
E não foi pouco. Cansei com método, com disciplina e, sobretudo, com aquele ar levemente dramático que todo cansaço intelectual gosta de vestir. Cansei das teclas repetidas, das ideias que parecem inéditas até que alguém as publique cinco minutos antes. Cansei do café que esfria enquanto a frase não fecha e, principalmente, cansei da obrigação de ter opinião sobre tudo. Há dias em que a melhor contribuição ao debate público é um elegante silêncio. E eu, que sempre tive apreço


Nove espelhos, um País
Há diagnósticos que descrevem e outros expõem. O retrato recente do Brasil, consolidado no livro O Brasil no Espelho e repercutido na plataforma de jornalismo Meio, nasce de uma das mais amplas pesquisas já realizadas no país sobre valores. Liderado por Felipe Nunes, fundador da Quaest Pesquisa, o estudo ouviu mais de dez mil brasileiros em entrevistas profundas. Não se trata de opinião superficial, mas de uma imersão no que as pessoas pensam, sentem e temem. O que emerge des


























































