

Quando o ego tenta pautar a grade
Há momentos em que a indústria cultural é desafiada não por crises externas, mas por reações que revelam um descompasso entre maturidade institucional e percepção individual de poder. O episódio recente envolvendo um cantor sertanejo consagrado, que reagiu publicamente a um evento institucional do SBT , é emblemático desse ruído. O canal em questão promoveu um encontro estratégico para anunciar um novo projeto, um novo ativo de mídia, algo absolutamente legítimo dentro da ló


Ser vendido: sucesso ou fracasso?
Quando uma empresa muda de mãos, o mercado costuma reagir em modo automático: comemora-se o valuation , celebra-se a liquidez, fala-se em novo ciclo, sinergias, relançamento estratégico. Mas, por trás dessa espuma corporativa, existe uma pergunta incômoda que costuma ficar soterrada: quando uma empresa é vendida, estamos olhando para um caso de sucesso ou para um fracasso institucional? Ser vendido não é, por definição, nem sucesso nem fracasso. É consequência. E o julgamen


Os verdadeiros luxos dos tempos modernos
Vivemos um paradoxo silencioso. Em meio à economia orientada por métricas, produtividade e aceleração contínua, os luxos mais desejados do nosso tempo não são objetos, nem símbolos de status, mas condições intangíveis que se tornaram escassas e, por isso mesmo, valiosas. Carlos Alberto Piazza Timo Iaria , sempre atento aos movimentos da sociedade digital, resume essa nova hierarquia de prioridades com precisão: tempo, silêncio e privacidade. Três ativos que antes pareciam d


O décimo terceiro do desejo
Dezembro sempre chega com seu pacote simbólico de renovações. Um fechamento suave de ciclo, quase como aquela pausa estratégica que as empresas fazem antes de abrir o planejamento do ano seguinte. Mas, no fundo, o que buscamos nesse período não é apenas equilíbrio de contas emocionais. É algo mais íntimo, mais humano. Uma espécie de décimo terceiro da alma, um crédito extraordinário de desejo. É curioso perceber como as pessoas se sentem pressionadas a formular promessas de a


O que está acontecendo?
A segunda ocupação do ano da Mesa Diretora da Câmara, desta vez protagonizada pelo deputado Glauber Braga (PSOL RJ), vai além da surpresa. Exige compreensão. Não podemos tratar como normal aquilo que fere ritos, força o atrito da convivência institucional e expõe fragilidades de uma Casa que deveria operar pelo respeito à forma e à função. Os relatos são consistentes. O deputado subiu à cadeira da presidência em protesto contra o processo que pode cassá-lo; a polícia legislat


Entre o ser e o parecer
Vivemos um momento delicado, e revelador, da tensão existente entre agir de forma ética e moralmente correta, e o risco de que esses atos, por sua proximidade com o poder, sejam interpretados apenas como aparência de integridade. Os episódios recentes envolvendo o Banco Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) e ministros dessa corte ilustram de forma crua essa ambivalência. No fundo, o que está em jogo não é apenas a veracidade dos atos, mas a confiança pública, que se abala


O país que ainda mata suas mulheres
Os casos recentes de feminicídio expostos esta semana em diversas reportagens não são apenas um choque coletivo. São um espelho incômodo que revela o quanto ainda falhamos como sociedade. Ver mulheres sendo atropeladas e arrastadas, envenenadas, esfaqueadas, estranguladas, baleadas, violentadas, e perceber que nada disso acontece de forma isolada, exige de nós uma reflexão mais profunda do que a simples indignação. É preciso compreender que cada crime desses começa muito ante


O presente de Natal do Sicredi
Em pleno final de ano, quando “prosperidade” se torna palavra de ordem em campanhas, brindes e discursos, talvez valesse a pena dar um passo atrás. Não para recitar clichês, mas para questionar: o que realmente desejamos quando falamos em prosperidade? Foi com essa curiosidade que o Sicredi encomendou uma pesquisa ao Instituto Datafolha . O objetivo? Entender como os brasileiros definem prosperidade. Os resultados desmontam a ideia de que prosperar é apenas acumular riquez


A comunicação que move líderes
Ao longo dos anos, aprendi que executivos não se transformam por acúmulo de técnicas, e sim por expansão de consciência. O que realmente muda um líder é quando ele passa a enxergar, com nitidez, as dinâmicas invisíveis que moldam decisões: os vieses, os impulsos, os ruídos culturais, as pressões silenciosas, os medos não declarados. Quando isso se torna mais evidente, a comunicação deixa de ser um instrumento e passa a ser um sistema de navegação. E é aí que a mentoria ganha


O mal-entendido que mudou tudo
Às vezes a vida nos oferece enredos que nenhum roteirista ousaria escrever. Em 1989, eu era um garoto começando na redação da 89FM, ainda com cheiro de pauta fresca e um entusiasmo quase ingênuo. O Sistema Jornal do Brasil operava a emissora e eu tentava encontrar meu lugar naquele universo acelerado. Numa manhã comum, tocou o ramal da redação. A telefonista anunciou: “É o assessor de imprensa da Dow Química”. Respirei fundo e atendi. Do outro lado estava alguém educado, técn





























































