O tempo certo das vontades
- Luis Alcubierre

- há 3 dias
- 2 min de leitura
Nem sempre podemos fazer o que queremos. E, ao contrário do que aprendemos cedo demais, isso não é um problema. É um dado da realidade. Há momentos em que o dinheiro impõe limites claros, outros em que o corpo pede mais cuidado do que ousadia, e muitos em que alguém ou algo precisa, legitimamente, ocupar o centro da decisão. Entender isso não é resignação. É inteligência aplicada à vida.
Na juventude, a vontade costuma andar mais rápido do que o contexto. O desejo surge e pede resposta imediata. Queremos agora, porque o agora parece sempre definitivo. Com o tempo, aprendemos que quase nada é definitivo e que justamente por isso merece ser melhor administrado. A maturidade não nos afasta do querer. Ela nos ensina a colocá-lo na agenda certa, no timing correto, com menos ansiedade e mais clareza.
Há uma diferença importante entre abrir mão e adiar. Abrir mão dói, adiar organiza. Adiar pressupõe visão de médio e longo prazo, leitura de cenário, respeito aos próprios limites e, sobretudo, responsabilidade. É quando entendemos que certas escolhas não podem ser feitas isoladamente, porque impactam outras pessoas, outros projetos, outras dimensões da vida que também importam.
O tempo, muitas vezes visto como inimigo, é na verdade um aliado exigente. Ele testa nossas vontades, filtra nossos impulsos e qualifica nossos desejos. Aquilo que sobrevive ao tempo geralmente chega mais sólido, mais consciente e, paradoxalmente, mais prazeroso. O desfrute sem pressa tem um sabor diferente. Ele vem acompanhado da serenidade de quem sabe que fez o que precisava ser feito antes.
Há uma sabedoria silenciosa em aceitar que nem tudo é para agora. Não por medo, não por conformismo, mas por estratégia de vida. Saber esperar é uma competência pouco celebrada, mas profundamente transformadora. Ela nos protege de decisões precipitadas, de frustrações desnecessárias e de culpas que poderiam ser evitadas.
Quando o momento do desejo finalmente chega, e ele chega, traz com ele algo que a juventude, em sua urgência, raramente experimenta: a certeza do dever cumprido. E essa certeza amplia o prazer, dá sentido à conquista e nos permite viver o momento com inteireza, sem a sensação de estar devendo algo a alguém ou a nós mesmos.
No fim das contas, crescer é isso: entender que querer continua sendo importante, mas compreender quando não fazer também é uma forma elevada de liberdade.

Foto: Rafael Garcin | Unsplash





























































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