

Nove espelhos, um País
Há diagnósticos que descrevem e outros expõem. O retrato recente do Brasil, consolidado no livro O Brasil no Espelho e repercutido na plataforma de jornalismo Meio, nasce de uma das mais amplas pesquisas já realizadas no país sobre valores. Liderado por Felipe Nunes, fundador da Quaest Pesquisa, o estudo ouviu mais de dez mil brasileiros em entrevistas profundas. Não se trata de opinião superficial, mas de uma imersão no que as pessoas pensam, sentem e temem. O que emerge des


Quando tudo pesa
Há dias em que acordamos com uma sensação incômoda de desalinhamento. Não é um graWireStocksso, nem um evento específico. É algo difuso e, por isso, mais difícil de reconhecer. As coisas simplesmente não parecem estar saindo como deveriam. E isso deixa dúvidas. O sentimento não é exceção. É parte do contrato de ser humano. Existe uma cobrança por consistência, por progresso linear. Mas a vida não responde como uma planilha. Ela oscila, resiste, recua. E, nesse movimento, nos


Não faz o menor sentido descartar os 50+
Há um sério desalinhamento entre discurso e prática no mercado de trabalho. Enquanto organizações afirmam valorizar diversidade, experiência e visão estratégica, ainda hesitam diante do profissional 50+. Não se trata de um conflito ideológico, mas de uma incoerência operacional. Simplesmente não há lógica consistente que sustente essa resistência. Os 50+ de hoje não guardam relação alguma com os de décadas atrás. Em um passado não tão distante, muitos ingressavam no mercado


Exclusivo: Por que não acredito em punições graúdas no Caso Master
Há um padrão silencioso no Brasil que se repete com a disciplina de um ritual. Escândalos emergem, indignações ganham tração, nomes poderosos são expostos, e por um breve momento cria-se a sensação de que, desta vez, o sistema será capaz de se corrigir. É nesse ambiente que o chamado Caso Master se insere. E é exatamente por conhecer esse roteiro que não acredito em punições graúdas. O país já viveu capítulos emblemáticos dessa promessa de ruptura. O Mensalão foi, à sua épo


A celebridade do abismo
Há crimes que chocam. Outros que, além de chocar, capturam. O caso de Suzane von Richthofen pertence à segunda categoria. Não apenas pela brutalidade do ato, ocorrido em 2002, quando participou do assassinato dos próprios pais, mas pela capacidade rara de permanecer no imaginário coletivo por mais de duas décadas. Em um ambiente de excesso informacional, isso não é trivial. É construção de imagem. O que deveria ser um percurso de esquecimento, como ocorre com a maioria dos co


It's the end of the world as we know it
A frase na canção do R.E.M. não foi criada como manifesto geopolítico, mas ganhou contornos quase literais ao observarmos o reposicionamento global a partir do segundo mandato de Donald Trump. Não se trata só de uma alternância de poder, algo inerente às democracias maduras, mas de uma inflexão de paradigma. Um redesenho do tabuleiro em que regras tácitas da diplomacia, construídas ao longo de décadas, passaram a ser tratadas como ativos negociáveis, não como pilares civiliz


O país dos favores
Há uma engrenagem que move o Brasil com mais eficiência do que qualquer política pública. Não está nos organogramas, não aparece nos relatórios de governança, mas entrega resultados. Chama-se favor. Na sua versão mais ingênua, poderia ser apenas capital relacional. O problema começa quando ele deixa de ser exceção e passa a fazer parte do script. As notícias recentes envolvendo o uso de aeronaves privadas por integrantes de altas esferas de poder recolocam esse tema no centro


A epopeia das senhas que não confirmam
Há uma nova jornada do herói em curso, silenciosa, cotidiana e absolutamente inevitável. Ela não envolve dragões, tampouco mares revoltos ou lanças. Trata-se de algo muito mais sofisticado e, convenhamos, mais desafiador. A tentativa de acessar a própria conta. O roteiro é conhecido. Você decide realizar uma operação banal, fazer uma transferência, pagar um boleto, acessar um extrato, concluir uma compra. Um gesto simples, quase um reflexo. A partir daí, inicia-se uma experiê


Crise recorrente é falha no sistema
Chega uma hora em que a reputação deixa de ser um assunto de comunicação e passa a ser, essencialmente, um tema de governança. O recente caso envolvendo a executiva de uma grande rede do varejo recoloca a discussão no centro da mesa, não como crise isolada, mas como sintoma estrutural. As investigações indicam um suposto esquema de favorecimento fiscal, com indícios de relações impróprias entre agentes públicos e privados para acelerar créditos tributários. Se confirmados, os


Quando a imagem silencia o sentir
Em 1988, diante de Jô Soares, um jovem Guilherme Arantes fez uma leitura que soava desalinhada com o entusiasmo da época. No auge do videoclipe, quando a música começava a ser capturada pela imagem, ele trouxe um incômodo elegante e raro. Sua crítica era simples e profunda. Ao atrelar a música a uma narrativa visual pré-definida, reduzia-se o espaço da imaginação. A experiência deixava de ser íntima para se tornar guiada. Em outras palavras, passávamos a ver demais e sentir


























































