

A ignorância como traço da idiotice
Há uma diferença importante entre não saber e fazer questão de não aprender. A primeira condição é humana. A segunda costuma ser um dos traços mais evidentes da idiotice. Vivemos uma época em que a informação está disponível em poucos segundos, mas a curiosidade parece cada vez mais rara. Antes de conhecer um fato, muitos preferem formar uma opinião. Antes de pesquisar uma cultura, escolhem ridicularizá-la. Antes de compreender um símbolo, decretam a sua inferioridade. Foi ex


Quando a terra treme, a humanidade desperta
Vez ou outra a natureza parece nos lembrar, da forma mais dura possível, de que somos todos vulneráveis. Em poucos segundos, cidades desaparecem, famílias são separadas, histórias são interrompidas e sonhos ficam soterrados sob toneladas de concreto. Foi o que voltou a acontecer na Venezuela, onde um dos maiores terremotos de sua história mobiliza milhares de socorristas e comove o mundo inteiro. Enquanto os números crescem a cada atualização, mortos, feridos, desaparecidos e


A crueldade diante do goleiro
Há uma solidão que só o goleiro conhece. Ela não aparece nos treinos, nas entrevistas ou nas fotografias da equipe. Surge apenas no instante em que a bola escapa, cruza a linha e o estádio inteiro encontra um culpado. Em poucos segundos, uma trajetória construída ao longo de anos parece desaparecer. Nesta Copa do Mundo, isso aconteceu novamente. Fernando Muslera defendeu o Uruguai com dedicação ao longo de quase duas décadas. Acumulou partidas memoráveis, classificações histó


A IA influencia stakeholders, mas não é um deles
Na semana passada, participei de uma mesa de debates. Entre os diversos temas relacionados à reputação, comunicação e tecnologia, uma pergunta chamou minha atenção: a Inteligência Artificial é um stakeholder? A pergunta é boa. Talvez justamente porque sua resposta pareça óbvia para alguns e revolucionária para outros. Minha visão é clara: não, a Inteligência Artificial não é um stakeholder. E talvez seja importante dizer isso neste momento em que existe uma tendência cr


O talento não deveria comprar absolvição
O Brasil tem uma relação interessante com seus ídolos no futebol. Quando alguém demonstra um talento extraordinário, passamos a tratá-lo como se esse dom fosse uma espécie de salvo-conduto moral. A qualidade passa a funcionar como uma licença sem limites. É um fenômeno que atravessa o futebol, a política, os negócios e até o nosso cotidiano. Nos últimos anos, ouvimos inúmeras vezes a mesma frase: "Setenta por cento do craque ainda é melhor do que qualquer outro jogador." Talv


A conta que poucos fazem
Tenho em casa dois equipamentos da mesma marca. Um deles foi comprado em 2008. O outro, em 2012. Ambos continuam funcionando bem. Muito bem. Um terceiro, adquirido em 2019, apresentou uma falha séria em apenas dois anos. Essa constatação me fez pensar: o que realmente determina a longevidade de um produto? A resposta mais fácil seria dizer que as coisas antigamente eram melhores. Mas respostas fáceis costumam esconder questões complexas. Os três produtos foram fabricados pela


Amizades de passagem
Vire e mexe uma pergunta me vem à mente: por que algumas amizades passam por nossas vidas e, quando percebemos, já seguiram outro caminho? Não há briga. Não há rompimento. Não há decepção. Em muitos casos, sequer há despedida. A vida simplesmente segue. Durante anos convivemos diariamente. Compartilhamos projetos, viagens, alegrias, preocupações, sonhos e dificuldades. Pareciam personagens permanentes da nossa história. Hoje não sabemos onde moram. Não conhecemos seus novos a


Os anos "UAU"!
Há uma sensação curiosa que só o tempo é capaz de nos proporcionar. Quando estamos vivendo um grande momento profissional, quase nunca percebemos sua importância. Estamos ocupados demais trabalhando, resolvendo problemas, entregando resultados, lidando com prazos, conflitos, expectativas e desafios. Estamos dentro da história. Não temos a distância necessária para enxergá-la. Só anos depois, olhando para trás, é que algumas fichas começam a cair. Ao revisitar minha trajetória


Não é possível agradar a todos
Há frases tão repetidas que acabam perdendo a força. "Não é possível agradar a todos" talvez seja uma delas. Ouvimos essa máxima desde a infância, concordamos com ela racionalmente e seguimos em frente. No entanto, basta observar a vida pública, o ambiente corporativo ou mesmo as relações pessoais para perceber que compreendê-la intelectualmente é muito mais fácil do que aceitá-la emocionalmente. Ela está presente na política, nos negócios, nas artes, nos esportes, nas famíl


Quem ainda nos inspira?
Quem influenciava no passado? Na música, Bach, Beethoven, Vivaldi, Tchaikovsky. Mais tarde vieram os Beatles, os Rolling Stones, Led Zeppelin. Nas artes plásticas, Goya, Michelangelo, da Vinci, Picasso, Salvador Dalí. Na literatura, Dostoiévski, Victor Hugo, Orwell, James Joyce. No teatro, Stanislavski, Shakespeare, Flávio Rangel, Plínio Marcos. Foram muitos. E de todos os segmentos da sociedade. Não eram só famosos. Eram referências. Gente que provocava desconforto intelectu


























































