

Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada
Durante minhas férias, fiz questão de encontrar meu grande mentor na arte da negociação. Julián Gutiérrez Conde , ex-CEO, consultor de grandes organizações e escritor com 27 livros publicados, me recebeu em uma tarde fria, no salão silencioso de um hotel antigo, reestilizado, no coração de Madrid. Entre muitos assuntos, análises e reflexões, perguntei a ele o que é mais forte na obsessão humana: o poder ou o dinheiro? Julián não hesitou. Ajustou os óculos, sorriu com a seren


Sombras que nos governam
Há algo inquietante quando revisitamos o mundo invertido de Stranger Things. Aquele subsolo viscoso, onde tudo que conhecemos é distorcido, funciona como uma metáfora para a lógica do poder quando ele se desconecta de qualquer senso de humanidade. Ali, o Devorador de Mentes e Vecna se erguem como arquétipos da ambição que se alimenta do medo, do controle que se sustenta na corrosão do outro, da liderança que se impõe pela intimidação. E, quando olhamos para além da ficção, pe


Quando a força fala mais alto
A simples sinalização de uma ação militar dos Estados Unidos em relação à Venezuela já era, por si só, um fato político de alto impacto. Em um mundo hiperconectado, financeiramente interdependente e emocionalmente polarizado, não foi preciso que o primeiro tiro tenha sido disparado para que os efeitos começassem a se espalhar. É fundamental, antes de qualquer juízo apressado, compreender que ações militares nunca são eventos isolados. Elas são decisões estratégicas que carre


O risco nunca dorme
Interrompo minhas férias. Não por agenda, não por obrigação profissional, mas por consciência. Por coincidência. Dessas que a vida nos coloca no caminho. Estou na Suíça e acompanho de perto a comoção nacional causada pelo incêndio em Crans-Montana. O silêncio nas ruas, o tom contido dos noticiários, o respeito quase solene com que o tema é tratado dizem muito. Aqui, onde tudo parece funcionar, algo falhou. E falhou de forma brutal. O acidente expôs uma verdade incômoda: o ris


A noite em que as luzes ficaram mais perto
Na noite de Natal, a rua estava estranhamente silenciosa. Não era um silêncio bom, daqueles que descansam. Era um silêncio de gente que se acostumou a não falar. As casas tinham luzes piscando, mas poucas portas abertas. Eu fiquei olhando da janela e pensei que o mundo parecia bonito por fora e distante por dentro, como um presente bem embrulhado que ninguém tinha coragem de abrir. Mais cedo, ouvi adultos discutindo sobre guerras que não acabam, sobre políticos que prometem d


Entre o cargo e conveniência
Há episódios na vida pública que não exigem adjetivos fortes nem julgamentos apressados. Eles se impõem sozinhos, pela força do contexto. Não é o fato isolado que preocupa, mas o ambiente que se forma quando funções institucionais elevadas passam a orbitar interesses privados em momentos sensíveis. É nesse território, cinzento e protegido pelos protocolos do poder, que a ética costuma ser testada. O que veio à tona revela mais do que uma troca de mensagens entre autoridades.


Um escândalo emocional chamado Corinthians
No início de novembro do ano passado, o Corinthians era um número ridículo. Um erro de arredondamento. Zero vírgula zero zero quatro por cento. Uma estatística que não se conta aos filhos nem se confessa aos amigos. Essa era a chance do clube se classificar para a Copa do Brasil de 2025. Àquela altura, parecia um paciente na UTI institucional, respirando por aparelhos administrativos para não cair à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, tropeçando em si mesmo, atolado em


Entre a dopamina e o silêncio
Os números são eloquentes e, ao mesmo tempo, desconfortáveis. Uma pesquisa recente da Ipsos revela que 91% dos brasileiros acreditam que o mundo está mudando rápido demais. Outros 76% dizem sentir-se sobrecarregados pela quantidade de escolhas disponíveis. Nada menos que 73% afirmam desejar desacelerar o ritmo de suas vidas. E, talvez o dado mais simbólico desse tempo, 49% dizem preferir socializar com amigos no ambiente online do que presencialmente. Não são estatísticas i


Uma carreira de sorte
Nunca acreditei que a sorte substitui o talento. Mas sempre reconheci que, sem ela, o talento caminha mais devagar. No meu caso, a sorte não foi atalho nem muleta. Foi companhia constante. Às vezes discreta, às vezes escancarada. Desde cedo, tive a sensação de viver algo muito próximo do personagem Forrest Gump: eu apenas seguia em frente, fazendo o melhor possível, e quando percebia estava testemunhando, e participando, do melhor de cada fase, no lugar certo, na hora certa.


Sem luz, sem rumo
Quando o apagão deixa de ser exceção e passa a fazer parte da rotina, o problema já não é o clima, é a gestão. Em São Paulo, a repetição das crises elétricas expõe limites, responsabilidades e a urgência de decisões estruturais. O problema da Enel Brasil deixou de ser um episódio pontual para se tornar uma rotina previsível. A cidade voltou a viver ontem o mesmo drama: chuvas, ventos, árvores no chão, bairros inteiros às escuras e uma sensação coletiva de déjà-vu. Poucos di



























































