Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada
- Luis Alcubierre

- 12 de jan.
- 2 min de leitura
Durante minhas férias, fiz questão de encontrar meu grande mentor na arte da negociação. Julián Gutiérrez Conde, ex-CEO, consultor de grandes organizações e escritor com 27 livros publicados, me recebeu em uma tarde fria, no salão silencioso de um hotel antigo, reestilizado, no coração de Madrid. Entre muitos assuntos, análises e reflexões, perguntei a ele o que é mais forte na obsessão humana: o poder ou o dinheiro?
Julián não hesitou. Ajustou os óculos, sorriu com a serenidade de quem já testemunhou mundos e devolveu a frase que segue batendo em mim: “Embora o dinheiro muitas vezes traga poder, e o poder muitas vezes traga dinheiro, dominar é ainda a peça que mais encaixa na vaidade humana”.
A resposta diz mais sobre nós do que admitimos. A lógica da dominância permeia equipes, conselhos, governos, comunidades e até relações pessoais. A disputa por territórios simbólicos virou métrica de muitos comportamentos. E, paradoxalmente, quanto mais brigamos para estar por cima, mais revelamos nossa própria insignificância.
Durante a carreira, aprendi que pessoas fortes não precisam provar força. Líderes influentes não precisam vencer todas as discussões. Profissionais valiosos não gastam energia tentando parecer maiores. Sabem que influência real nasce do diálogo consistente, confiável e contínuo.
Julián costuma repetir uma tese que carrego como mantra: “o capital mais escasso do mundo atual não é financeiro, tecnológico nem intelectual. É capital relacional”. A habilidade de unir pontos, sustentar vínculos, ouvir antes de reagir e gerar confiança em ambientes polarizados. Esse é o ativo que separa quem exerce autoridade de quem inspira.
Num cenário em que todos querem ser a voz mais alta, coragem talvez seja baixar o tom. Num mundo onde a vaidade se disfarça de autonomia, avanço real pode ser reconhecer interdependências. E num ambiente movido pela lógica da dominância, o verdadeiro poder está justamente em recusar o jogo.
Ao deixar o hotel, voltei à frase do meu mentor. Dominar seduz, mas não transforma, não conecta, não sustenta. E certamente não constrói legado.
Talvez a grande sabedoria deste tempo seja perceber que, enquanto alguns correm obsessivamente atrás de poder ou dinheiro, há um terceiro caminho, menos ruidoso, mas muito mais valioso: cultivar relações que ampliam quem somos em vez de inflar quem fingimos ser.
No fim, é esse capital que define o impacto que deixamos. E o respeito que conquistamos.






























































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