

Sala de estar a 10 mil metros de altura
Viajar de avião virou um curioso teste de convivência humana. Em poucas horas, somos apresentados a comportamentos que desafiam qualquer manual básico de civilidade e, confesso, também a nossa paciência. Há o passageiro que assiste a vídeos sem fone, em volume máximo, como se estivesse oferecendo entretenimento coletivo. O que levanta antes do aviso, fura a fila do banheiro e ocupa o corredor como se tivesse prioridade moral. Pais que terceirizam a educação dos filhos para o


A pressa é inimiga da redação
A Fox News, tradicional aliada do presidente Donald Trump, cometeu um erro que rapidamente virou fogo amigo. Ao antecipar a informação sobre o cancelamento de vistos nos Estados Unidos, omitiu um dado essencial. Tratava-se apenas de vistos de imigração. A chamada reduziu tudo a “vistos”, termo amplo em um país que trabalha com mais de uma centena de categorias. O impacto dessa imprecisão foi imediato e desnecessário. Esse tipo de falha não espanta apenas pelo equívoco técnico


A pausa não é luxo. É estratégia.
V ivemos sob a tirania do contínuo. Do fluxo ininterrupto de mensagens, prazos, opiniões, demandas e expectativas. Tudo é urgente, tudo é agora, tudo compete pela nossa atenção. Nesse contexto, a pausa costuma ser vista como fraqueza, descompromisso ou até preguiça. Um erro conceitual grave. A pausa, quando bem compreendida, é um dos atos mais inteligentes de gestão da própria vida. Existem muitas pausas. A pausa curta, entre uma reunião e outra, que evita decisões ruins toma


Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada
Durante minhas férias, fiz questão de encontrar meu grande mentor na arte da negociação. Julián Gutiérrez Conde , ex-CEO, consultor de grandes organizações e escritor com 27 livros publicados, me recebeu em uma tarde fria, no salão silencioso de um hotel antigo, reestilizado, no coração de Madrid. Entre muitos assuntos, análises e reflexões, perguntei a ele o que é mais forte na obsessão humana: o poder ou o dinheiro? Julián não hesitou. Ajustou os óculos, sorriu com a seren


Sombras que nos governam
Há algo inquietante quando revisitamos o mundo invertido de Stranger Things. Aquele subsolo viscoso, onde tudo que conhecemos é distorcido, funciona como uma metáfora para a lógica do poder quando ele se desconecta de qualquer senso de humanidade. Ali, o Devorador de Mentes e Vecna se erguem como arquétipos da ambição que se alimenta do medo, do controle que se sustenta na corrosão do outro, da liderança que se impõe pela intimidação. E, quando olhamos para além da ficção, pe


Quando a força fala mais alto
A simples sinalização de uma ação militar dos Estados Unidos em relação à Venezuela já era, por si só, um fato político de alto impacto. Em um mundo hiperconectado, financeiramente interdependente e emocionalmente polarizado, não foi preciso que o primeiro tiro tenha sido disparado para que os efeitos começassem a se espalhar. É fundamental, antes de qualquer juízo apressado, compreender que ações militares nunca são eventos isolados. Elas são decisões estratégicas que carre


O risco nunca dorme
Interrompo minhas férias. Não por agenda, não por obrigação profissional, mas por consciência. Por coincidência. Dessas que a vida nos coloca no caminho. Estou na Suíça e acompanho de perto a comoção nacional causada pelo incêndio em Crans-Montana. O silêncio nas ruas, o tom contido dos noticiários, o respeito quase solene com que o tema é tratado dizem muito. Aqui, onde tudo parece funcionar, algo falhou. E falhou de forma brutal. O acidente expôs uma verdade incômoda: o ris


A noite em que as luzes ficaram mais perto
Na noite de Natal, a rua estava estranhamente silenciosa. Não era um silêncio bom, daqueles que descansam. Era um silêncio de gente que se acostumou a não falar. As casas tinham luzes piscando, mas poucas portas abertas. Eu fiquei olhando da janela e pensei que o mundo parecia bonito por fora e distante por dentro, como um presente bem embrulhado que ninguém tinha coragem de abrir. Mais cedo, ouvi adultos discutindo sobre guerras que não acabam, sobre políticos que prometem d


Entre o cargo e conveniência
Há episódios na vida pública que não exigem adjetivos fortes nem julgamentos apressados. Eles se impõem sozinhos, pela força do contexto. Não é o fato isolado que preocupa, mas o ambiente que se forma quando funções institucionais elevadas passam a orbitar interesses privados em momentos sensíveis. É nesse território, cinzento e protegido pelos protocolos do poder, que a ética costuma ser testada. O que veio à tona revela mais do que uma troca de mensagens entre autoridades.


Um escândalo emocional chamado Corinthians
No início de novembro do ano passado, o Corinthians era um número ridículo. Um erro de arredondamento. Zero vírgula zero zero quatro por cento. Uma estatística que não se conta aos filhos nem se confessa aos amigos. Essa era a chance do clube se classificar para a Copa do Brasil de 2025. Àquela altura, parecia um paciente na UTI institucional, respirando por aparelhos administrativos para não cair à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, tropeçando em si mesmo, atolado em



























































