

O direito de mudar
Há uma pressa, quase automática, em transformar toda decisão corporativa em símbolo de traição de valores. Está sendo assim com o Nubank . A empresa, que construiu sua reputação sobre autonomia e cultura digital, anunciou o fim do modelo totalmente remoto. E logo virou alvo de críticas. Acusam a empresa de incoerência, de conservadorismo, de retroceder. Talvez o que esteja acontecendo seja apenas o amadurecimento natural de uma organização que cresceu e agora busca equilíbri


O tempo cobra atualização
Oswaldo de Oliveira e Emerson Leão, dois nomes consagrados de uma passada e vitoriosa era do futebol brasileiro, protagonizaram na última segunda-feira, no 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, na sede da CBF, um momento constrangedor diante de Carlo Ancelotti, técnico italiano e hoje comandante da Seleção Brasileira. Em suas falas, ambos deixaram transparecer algo mais profundo que o desconforto: a dificuldade de aceitar que o tempo passa, que o mundo muda, e que a


Quando a folha em branco diz muita coisa
Há dias em que as ideias simplesmente não vêm. A cabeça parece um corredor vazio, ecoando apenas o som do próprio passo. A folha em branco nos encara com um silêncio que pesa. E tudo bem. A verdade é que não nascemos para funcionar em linha de produção. A mente humana não é uma usina de ideias que trabalha sob demanda, nem o coração um motor que aceita ordens. Há dias em que o mais sábio é aceitar o vazio, respirar e deixar o tempo fazer o seu trabalho. Lembro de um dia, an


O avesso do significado
Os últimos acontecimentos no Brasil e a conversa com um grande amigo da imprensa profissional me levaram a escrever este texto. É que o discurso tem se tornado um território de disputa tão intenso quanto o poder que ele representa. Palavras como ética, propósito e transparência, antes alicerces de sentido, parecem hoje recicladas em versões que já não contêm o espírito original. É o que a psicanálise e a filosofia chamam de perversão simbólica. Quando símbolos são mantidos, m


A ilusão dos holofotes
O episódio desta semana do Profissão Repórter expôs uma radiografia inquietante do nosso tempo: o sonho de ser influenciador digital tornou-se, para muitos jovens, um objetivo de vida mais cobiçado que qualquer formação acadêmica. Caco Barcellos e sua equipe mostraram, com a lucidez de quem observa e não julga, um universo em que o desejo de reconhecimento parece ter superado o da realização. De um lado, há adolescentes que, munidos apenas de um celular e alguma astúcia, con


O eclipse da estrela. Quando talento não substitui disciplina
O clássico do final de semana vencido pelo Real Madrid diante do Barcelona, sob o comando do técnico Xabi Alonso, trouxe um episódio além da rivalidade esportiva. Ao ser substituído aos 27 minutos do segundo tempo, o atacante Vinícius Júnior reagiu indignado, com gestos e palavrões. Dirigiu-se ao vestiário e voltou ao banco claramente incomodado. Esse comportamento revela muito sobre o que a idolatria a um jogador pode esconder: a crença de que o “momento estrela” confere imu


O preço do abandono
EXCLUSIVO O Rio de Janeiro voltou a ser manchete pelo motivo errado. A megaoperação contra o tráfico que deixou dezenas de mortos reacende um drama que não é apenas policial, mas institucional e sobretudo humano. Há décadas, o país convive com a erosão silenciosa da autoridade pública, substituída pela força paralela do crime organizado, que ocupa o espaço onde o Estado se ausentou. A guerra de hoje é apenas o capítulo mais recente de um abandono que se estende por gerações.


Maurício de Souza, um brasileiro essencial
Chegar aos 90 anos com a leveza de Mauricio de Sousa é um privilégio reservado aos que compreenderam o sentido maior de criar: tocar pessoas. Criador de universos, construtor de valores e educador informal de gerações, ele segue inspirando o país com a mesma ternura e humildade de sempre, embora não esteja mais dando expediente em seu estúdio. No início da minha carreira, vivi um período em que as noites pareciam mais longas do que deveriam ser. Foi ali que encontrei nos qu


O talento precisa de tempo
João Fonseca não é mais uma promessa. Neste domingo, na Basileia, o brasileiro de 19 anos conquistou seu primeiro ATP 500, superando o espanhol Alejandro Davidovich Fokina e tornando-se o primeiro do país a erguer o troféu. Um feito que consolida o que o circuito já intuía desde o fim de 2024, quando ele encantou o mundo ao vencer o Next Gen ATP Finals, torneio que revelou nomes como Alcaraz e Sinner. O ATP 500 da Basileia é o desdobramento natural daquela ascensão. Antes de


Futuro que madura. Os 50+ e a intergeracionalidade entraram de vez na pauta
Por muito tempo, o debate em torno da diversidade e inclusão foi focado, com razão, na reparação de desigualdades estruturais históricas. O crescimento de iniciativas voltadas às mulheres, negros e à comunidade LGBTQIAPN+ era e continua sendo essencial para equilibrar as forças em um mercado de trabalho que, por décadas, operou em uma lógica de exclusão. Essas causas avançaram, ainda que enfrentem desafios contínuos. No entanto, há uma realidade emergente que finalmente começ





























































