

Sangue frio na economia
Escrevo provocado por mais um ciclo de tensão internacional que rapidamente transbordou do campo geopolítico para o econômico. A escalada envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã recoloca o mundo diante de um velho conhecido: a instabilidade que nasce nos conflitos e se propaga com velocidade pelos mercados. O petróleo reage primeiro, como sempre quando o assunto é Golfo Pérsico. Sobe não apenas pelo risco concreto de interrupção de oferta, mas pela expectativa, pela ansiedade


O cometa Real
Passados mais de trinta anos do Plano Real, o Brasil olha para trás e percebe que aquele momento foi mais do que uma política econômica. Foi um raro encontro de talento técnico, liderança política e senso de propósito público. Não se trata de romantizar o passado, mas de reconhecer que, em determinados momentos, um país consegue reunir um grupo capaz de enfrentar problemas estruturais com método, coragem e visão de longo prazo. Fernando Henrique Cardoso, Pedro Malan, Gustavo


O que faz um profissional julgar-se maior do que a empresa em que trabalha?
No mundo do trabalho, há uma linha delicada entre confiança e descolamento da realidade. Quando um profissional começa a agir como se estivesse acima da instituição que o contratou, algo importante se perde no caminho. Perde-se o senso de pertencimento. Perde-se o compromisso com o resultado coletivo. A declaração recente de Dorival Júnior, técnico do Corinthians, nos faz refletir sobre algo além do futebol. Após empate em um clássico e uma sequência de resultados sem vitóri


Quando o futebol revela o que tentamos esconder
No domingo, no Mineirão, Cruzeiro e Atlético protagonizaram mais do que a final de um campeonato. Protagonizaram um retrato incômodo do nosso tempo. O árbitro Matheus Candançan registrou na súmula algo que parece absurdo até de escrever: 23 jogadores expulsos após uma briga generalizada entre atletas das duas equipes. Foram 12 do Cruzeiro e 11 do Atlético. A confusão começou nos acréscimos da partida, depois de um choque entre o goleiro atleticano Everson e o meia Christian.


A riqueza que nunca existiu
Antes de tudo, é preciso deixar algo claro. A riqueza de outra pessoa não me incomoda. Ao contrário. Quando alguém prospera, especialmente alguém próximo, fico feliz. Dinheiro faz parte da vida e cada um escolhe como desfrutar aquilo que construiu. O problema não é a riqueza. O problema é a encenação dela. Nos últimos dias, o Brasil tem assistido à exposição pública do estilo de vida de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O que surge nas reportagens vai além de um


Clichês da crise em notas oficiais
Há algo de fascinante na repetição das crises públicas. Elas mudam de setor, de protagonista, de dimensão financeira e até de gravidade moral, mas o repertório de respostas continua quase o mesmo, como se existisse um manual secreto compartilhado entre advogados, departamentos jurídicos e agências de gestão de reputação. É o momento em que, muitas vezes, o cidadão aparece com o batom na cueca (ou há indícios de) e inicia-se o ritual conhecido: a nota oficial. O curioso é que


Contexto: ativo invisível da Comunicação
A velocidade passou a ser confundida com eficiência e opinião rápida ganhou status de análise. Nesse ambiente, instalou-se um fenômeno preocupante: estamos lendo menos profundamente, entendendo menos integralmente e reagindo mais impulsivamente. Não por falta de acesso à informação, mas por limitação de contexto. O contexto é o ativo invisível da comunicação. Ele não aparece em negrito, não vem sublinhado, não pisca na tela. Mas é ele que dá sentido ao que se lê, ao que se ou


A felicidade que não pede desculpas
Hoje acordei feliz acima do nível normal. A notícia de uma vitória pessoal do meu filho atravessou o quarto antes mesmo da luz da manhã. Virou vitória minha também. Dessas que não cabem em planilhas, mas que reorganizam o dia inteiro. Fiz as camas em tempo recorde (e com a mesma qualidade), porque excelência não combina com euforia desleixada. Coloquei Bryan Ferry na "vitrola". Cantarolei faixas de Boys and Girls, Bête Noire e, claro, o meu preferido do Roxy Music, Avalon. Há


"Tipo": a muleta que não segura
Há um fenômeno linguístico que se espalhou entre os jovens com a mesma naturalidade com que um meme viraliza. E, como todo meme que se repete sem necessidade, acaba cansando. Falo da onipresença da palavra “tipo” nos diálogos cotidianos. Se você prestar atenção, ela aparece em praticamente todas as frases: “Eu tipo fui lá… tipo, pra ver tipo o que tava rolando.” Tente tirar todos esses tipos do relato e a história continua exatamente a mesma. A palavra, isolada, não acrescen


A palavra
Há algo estrutural, e pouco tangível, naquilo que sustenta relações duradouras, sejam elas pessoais, institucionais ou comerciais: a palavra. Antes da assinatura, antes do contrato, antes do compliance, existe a afirmação feita, o compromisso assumido, o entendimento estabelecido. A palavra é o primeiro ato formal de qualquer acordo. E, quando respeitada, continua sendo o mais relevante, porque é dela que nasce a confiança que viabiliza qualquer relação de longo prazo. Vivemo

























































