

A ilusão dos holofotes
O episódio desta semana do Profissão Repórter expôs uma radiografia inquietante do nosso tempo: o sonho de ser influenciador digital tornou-se, para muitos jovens, um objetivo de vida mais cobiçado que qualquer formação acadêmica. Caco Barcellos e sua equipe mostraram, com a lucidez de quem observa e não julga, um universo em que o desejo de reconhecimento parece ter superado o da realização. De um lado, há adolescentes que, munidos apenas de um celular e alguma astúcia, con


O eclipse da estrela. Quando talento não substitui disciplina
O clássico do final de semana vencido pelo Real Madrid diante do Barcelona, sob o comando do técnico Xabi Alonso, trouxe um episódio além da rivalidade esportiva. Ao ser substituído aos 27 minutos do segundo tempo, o atacante Vinícius Júnior reagiu indignado, com gestos e palavrões. Dirigiu-se ao vestiário e voltou ao banco claramente incomodado. Esse comportamento revela muito sobre o que a idolatria a um jogador pode esconder: a crença de que o “momento estrela” confere imu


O preço do abandono
EXCLUSIVO O Rio de Janeiro voltou a ser manchete pelo motivo errado. A megaoperação contra o tráfico que deixou dezenas de mortos reacende um drama que não é apenas policial, mas institucional e sobretudo humano. Há décadas, o país convive com a erosão silenciosa da autoridade pública, substituída pela força paralela do crime organizado, que ocupa o espaço onde o Estado se ausentou. A guerra de hoje é apenas o capítulo mais recente de um abandono que se estende por gerações.


Maurício de Souza, um brasileiro essencial
Chegar aos 90 anos com a leveza de Mauricio de Sousa é um privilégio reservado aos que compreenderam o sentido maior de criar: tocar pessoas. Criador de universos, construtor de valores e educador informal de gerações, ele segue inspirando o país com a mesma ternura e humildade de sempre, embora não esteja mais dando expediente em seu estúdio. No início da minha carreira, vivi um período em que as noites pareciam mais longas do que deveriam ser. Foi ali que encontrei nos qu


O talento precisa de tempo
João Fonseca não é mais uma promessa. Neste domingo, na Basileia, o brasileiro de 19 anos conquistou seu primeiro ATP 500, superando o espanhol Alejandro Davidovich Fokina e tornando-se o primeiro do país a erguer o troféu. Um feito que consolida o que o circuito já intuía desde o fim de 2024, quando ele encantou o mundo ao vencer o Next Gen ATP Finals, torneio que revelou nomes como Alcaraz e Sinner. O ATP 500 da Basileia é o desdobramento natural daquela ascensão. Antes de


Futuro que madura. Os 50+ e a intergeracionalidade entraram de vez na pauta
Por muito tempo, o debate em torno da diversidade e inclusão foi focado, com razão, na reparação de desigualdades estruturais históricas. O crescimento de iniciativas voltadas às mulheres, negros e à comunidade LGBTQIAPN+ era e continua sendo essencial para equilibrar as forças em um mercado de trabalho que, por décadas, operou em uma lógica de exclusão. Essas causas avançaram, ainda que enfrentem desafios contínuos. No entanto, há uma realidade emergente que finalmente começ


O valor que o dinheiro não compra
O futebol, não é de hoje, virou um grande mercado financeiro, com cifras milionárias e contratos relâmpago que mudam de camisa conforme o vento. Mas entre tantos movimentos do mercado, há histórias que escapam à lógica do capital e nos lembram por que o esporte ainda é uma das expressões mais humanas da vida. O que está acontecendo na cidade de Mirassol é digno de uma fábula moderna. O clube, que leva o nome do Município, começou o Brasileirão desacreditado, apontado por muit


Quando o diálogo dá lugar à porrada
Os tempos são alarmantes. Um episódio recente, o de um pai que, depois que sua filha foi advertida por usar o celular em sala de aula, invadiu a escola e agrediu o professor com socos e pontapés em uma escola do Distrito Federal, evidencia um sintoma profundo da sociedade. Nesse ato, encontramos não só violência física, mas uma metáfora cruel: a substituição da fala pela agressão; da reflexão pelo golpe. Há quase sessenta anos, o Brasil era visto como o país do futuro. Tínham


O preço da elegância
Aos poucos, vamos descobrindo coisas que acontecem na cobertura da sociedade brasileira que, na verdade, seria melhor viver sem saber. No último domingo, o Fantástico trouxe à tona um desses enredos. O embate entre uma socialite e um joalheiro. Uma história permeada por cifras milionárias, viagens à Europa e joias supostamente não devolvidas. A narrativa, que mistura luxo, disputa e vaidade, reacende uma velha questão: a de que o dinheiro, por mais abundante que seja, não tem


O inevitável futuro prateado
O 1º encontro do Conselho Maestro do Movimento Bstory apresentou esta semana o relatório “Brasil Prateado – Insight # 01: Economia Prateada no Brasil”, pesquisa inédita conduzida pela Data8 , referência em estudos sobre longevidade. O documento traz uma constatação incontornável: a geração 50+ deixou de ser uma tendência. É o presente e, sobretudo, o futuro inevitável do País. Já somos 59 milhões de brasileiros com mais de 50 anos, segundo a ONU. Em menos de duas décadas, o



























































