

Entre jovens e maduros, a harmonia nota 10
O último Carnaval foi mais do que espetáculo. Foi uma demonstração clara de que maturidade não é sinônimo de passado. É ativo estratégico. A vitória da Unidos do Viradouro no Carnaval do Rio de Janeiro não pode ser lida apenas como resultado de alegorias grandiosas ou de uma bateria pulsante. Ela é, sobretudo, a consagração de uma liderança experiente. Ao colocar no centro do enredo a trajetória de Mestre Ciça, a escola reafirmou algo que o mundo corporativo ainda aprende com


Ressaca braba
A gente merece o Carnaval. Merece mesmo. Merece o bloco, o riso fácil, a fantasia improvisada, aquela sensação quase infantil de que, por alguns dias, o Brasil funciona na base da alegria compartilhada. Não há cinismo aqui. O descanso coletivo é legítimo. Como Sancho Panza refletiu em Dom Quixote: “O sonho é o alívio das misérias dos que estão despertos”. E nós sonhamos. O problema é que a quarta-feira chega. E este ano ela veio com uma ressaca braba. Enquanto pulávamos, o no


A felicidade que fica
Há uma armadilha silenciosa na forma como aprendemos a medir a própria vida. Fomos treinados para associar alegria a picos, aplausos, conquistas, convites. Quando nada disso acontece, muitos concluem que algo está errado. Talvez não esteja. Talvez estejamos apenas diante da parte mais madura da experiência humana. Do ponto de vista da neurociência, o organismo adora novidades. Descargas de dopamina e adrenalina funcionam como recompensas rápidas, atalhos de motivação. São úte


Eleições. A IA como vetor de mentiras
Vivemos uma inflexão democrática. A inteligência artificial, força que transforma mercados, serviços públicos e rotinas, também altera a natureza do debate eleitoral. Não se trata de negar benefícios. Trata-se de reconhecer que a mesma tecnologia que amplia eficiência pode ser usada para fabricar realidades alternativas e manipular percepções. A IA qualifica estratégias, facilita acesso à informação e pode aproximar representantes e representados. Porém, quando empregada para


Conteúdo em excesso. Para quem, afinal, estamos falando?
Nunca se produziu tanto conteúdo, nunca se publicou tanto, nunca se falou tanto e, paradoxalmente, nunca se ouviu tão pouco. Portais de notícia atualizam manchetes em ritmo industrial. Redes sociais operam em fluxo contínuo, quase automático. A pergunta que começa a incomodar profissionais conscientes não é mais como produzir, mas por que produzir e, principalmente, para quem. É legítimo, em algum momento, olhar para a própria trajetória e questionar: faço parte de uma engren


Quando o cuidado falha
Há uma tese antiga, simples e profundamente atual que ajuda a explicar muito do que estamos vivendo. Quando uma janela se quebra e ninguém a conserta, o recado que fica é que tudo pode ser quebrado. O psicólogo norte-americano Philip Zimbardo traduziu isso com precisão ao mostrar que o descaso não é neutro. Ele educa pela ausência. Ensina, sem palavras, que não há correção, que o erro permanece, que o ambiente tolera a quebra. Quando ninguém cuida, o sinal emitido não é lib


A difícil (e bela) arte de sobreviver
Quem disse que é fácil? Quem disse que era para ser fácil? Desde a concepção, a vida nos coloca em um fluxo contínuo de testes. Sobreviver é atravessar um percurso sem manual, com variáveis que mudam o tempo todo, exigindo leitura de contexto, capacidade de adaptação e decisões imperfeitas. É um projeto em permanente construção, onde o único KPI que nunca zera é seguir adiante. O ser humano nasce dependente, aprende a respirar, a cair, a levantar, a falar, a se frustrar. Apre


Master. Quando o fio desencapa
O caso Banco Master deixou de ser um episódio financeiro para se tornar um stress test institucional. A liquidação decretada pelo Banco Central abriu uma sequência de fatos objetivos: investigações da Polícia Federal, impacto potencial relevante no Fundo Garantidor de Créditos, contradições formais em depoimentos e disputas de competência entre reguladores e instâncias superiores. O que começou como um problema prudencial evoluiu para um teste de governança do Estado brasilei


Quem puxa a fila quando o mundo corre?
Toda tendência nasce antes de ser nomeada. Ela começa quase sempre de forma silenciosa, em um gesto, uma escolha, um desvio do óbvio. Só depois vira pauta, um “novo normal”. E aí surge a pergunta que volta e meia nos fazemos: afinal, quem cria tudo isso? Os trend setters não são, necessariamente, os mais barulhentos. Em essência, eles operam na fronteira entre sensibilidade e leitura de contexto. Enxergam antes porque observam melhor. Captam o espírito do tempo, o zeitgeist,


O tempo certo das vontades
Nem sempre podemos fazer o que queremos. E, ao contrário do que aprendemos cedo demais, isso não é um problema. É um dado da realidade. Há momentos em que o dinheiro impõe limites claros, outros em que o corpo pede mais cuidado do que ousadia, e muitos em que alguém ou algo precisa, legitimamente, ocupar o centro da decisão. Entender isso não é resignação. É inteligência aplicada à vida. Na juventude, a vontade costuma andar mais rápido do que o contexto. O desejo surge e ped



























































