O tempo cobra atualização
- Luis Alcubierre

- 5 de nov.
- 2 min de leitura
Oswaldo de Oliveira e Emerson Leão, dois nomes consagrados de uma passada e vitoriosa era do futebol brasileiro, protagonizaram na última segunda-feira, no 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, na sede da CBF, um momento constrangedor diante de Carlo Ancelotti, técnico italiano e hoje comandante da Seleção Brasileira. Em suas falas, ambos deixaram transparecer algo mais profundo que o desconforto: a dificuldade de aceitar que o tempo passa, que o mundo muda, e que a atualização é uma necessidade, não um luxo.
Leão afirmou que “não suportava” treinadores estrangeiros no Brasil, e Oswaldo disse que “quando Carlo Ancelotti for embora, que volte um técnico brasileiro à Seleção”. As frases xenofóbicas ditas com certa frustração e raiva não foram apenas desrespeitosas, mas reveladoras. Mostraram uma geração que, por muito tempo, acreditou que o talento e a história bastavam.
No futebol, como em qualquer outra profissão, o conhecimento envelhece. As táticas evoluem, as regras mudam, os métodos de treinamento são revistos e o preparo mental dos atletas ganha protagonismo. O bom técnico hoje não é só o que entende de campo, mas o que estuda, observa, viaja, troca experiências e mantém o ego sob controle para continuar aprendendo. Não basta ser bom, é preciso continuar sendo.
No mundo corporativo, a lógica é a mesma. Líderes que se apoiam apenas em sua trajetória passada ou em suas antigas vitórias perdem o timing da inovação. Assim como os técnicos de futebol precisam entender novas formações e modelos de jogo, os executivos e gestores precisam compreender novos formatos de liderança, novas tecnologias, novas relações humanas e novas formas de motivar equipes. A atualização não é apenas técnica, é também emocional, comportamental e até física. Um bom líder cuida da mente e do corpo, porque sabe que equilíbrio e preparo são parte do desempenho.
O romantismo acabou, tanto no futebol quanto no trabalho. Já não basta a intuição, a velha escola, o discurso inflamado, o orgulho de dizer que é raiz. O que impera hoje é o estudo, o preparo e a capacidade de adaptação. O talento é o ponto de partida, não a linha de chegada.
Oswaldo e Leão poderiam ter aproveitado aquele encontro com Ancelotti para aprender. Preferiram a crítica desprovida do momentum. Perderam a chance de mostrar grandeza. Porque a humildade, essa sim, é o traço mais sofisticado de quem entende que, na vida profissional, ninguém está pronto para sempre.






























































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