

O que faz um profissional julgar-se maior do que a empresa em que trabalha?
No mundo do trabalho, há uma linha delicada entre confiança e descolamento da realidade. Quando um profissional começa a agir como se estivesse acima da instituição que o contratou, algo importante se perde no caminho. Perde-se o senso de pertencimento. Perde-se o compromisso com o resultado coletivo. A declaração recente de Dorival Júnior, técnico do Corinthians, nos faz refletir sobre algo além do futebol. Após empate em um clássico e uma sequência de resultados sem vitóri


Quando o futebol revela o que tentamos esconder
No domingo, no Mineirão, Cruzeiro e Atlético protagonizaram mais do que a final de um campeonato. Protagonizaram um retrato incômodo do nosso tempo. O árbitro Matheus Candançan registrou na súmula algo que parece absurdo até de escrever: 23 jogadores expulsos após uma briga generalizada entre atletas das duas equipes. Foram 12 do Cruzeiro e 11 do Atlético. A confusão começou nos acréscimos da partida, depois de um choque entre o goleiro atleticano Everson e o meia Christian.


A riqueza que nunca existiu
Antes de tudo, é preciso deixar algo claro. A riqueza de outra pessoa não me incomoda. Ao contrário. Quando alguém prospera, especialmente alguém próximo, fico feliz. Dinheiro faz parte da vida e cada um escolhe como desfrutar aquilo que construiu. O problema não é a riqueza. O problema é a encenação dela. Nos últimos dias, o Brasil tem assistido à exposição pública do estilo de vida de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O que surge nas reportagens vai além de um


Clichês da crise em notas oficiais
Há algo de fascinante na repetição das crises públicas. Elas mudam de setor, de protagonista, de dimensão financeira e até de gravidade moral, mas o repertório de respostas continua quase o mesmo, como se existisse um manual secreto compartilhado entre advogados, departamentos jurídicos e agências de gestão de reputação. É o momento em que, muitas vezes, o cidadão aparece com o batom na cueca (ou há indícios de) e inicia-se o ritual conhecido: a nota oficial. O curioso é que


Contexto: ativo invisível da Comunicação
A velocidade passou a ser confundida com eficiência e opinião rápida ganhou status de análise. Nesse ambiente, instalou-se um fenômeno preocupante: estamos lendo menos profundamente, entendendo menos integralmente e reagindo mais impulsivamente. Não por falta de acesso à informação, mas por limitação de contexto. O contexto é o ativo invisível da comunicação. Ele não aparece em negrito, não vem sublinhado, não pisca na tela. Mas é ele que dá sentido ao que se lê, ao que se ou


A felicidade que não pede desculpas
Hoje acordei feliz acima do nível normal. A notícia de uma vitória pessoal do meu filho atravessou o quarto antes mesmo da luz da manhã. Virou vitória minha também. Dessas que não cabem em planilhas, mas que reorganizam o dia inteiro. Fiz as camas em tempo recorde (e com a mesma qualidade), porque excelência não combina com euforia desleixada. Coloquei Bryan Ferry na "vitrola". Cantarolei faixas de Boys and Girls, Bête Noire e, claro, o meu preferido do Roxy Music, Avalon. Há


"Tipo": a muleta que não segura
Há um fenômeno linguístico que se espalhou entre os jovens com a mesma naturalidade com que um meme viraliza. E, como todo meme que se repete sem necessidade, acaba cansando. Falo da onipresença da palavra “tipo” nos diálogos cotidianos. Se você prestar atenção, ela aparece em praticamente todas as frases: “Eu tipo fui lá… tipo, pra ver tipo o que tava rolando.” Tente tirar todos esses tipos do relato e a história continua exatamente a mesma. A palavra, isolada, não acrescen


A palavra
Há algo estrutural, e pouco tangível, naquilo que sustenta relações duradouras, sejam elas pessoais, institucionais ou comerciais: a palavra. Antes da assinatura, antes do contrato, antes do compliance, existe a afirmação feita, o compromisso assumido, o entendimento estabelecido. A palavra é o primeiro ato formal de qualquer acordo. E, quando respeitada, continua sendo o mais relevante, porque é dela que nasce a confiança que viabiliza qualquer relação de longo prazo. Vivemo


Feminicídio. Quando a proteção falha, a sociedade fracassa
O Brasil amanhece, mais uma vez, sob o peso de uma notícia que não deveria mais existir. Em São Paulo, mais um feminicídio. O nome do agressor, Cássio Zampieri, faz barulho nas manchetes, mas é o silêncio das vítimas que deveria nos ensurdecer. Mulheres com medidas protetivas seguem sendo assassinadas. O instrumento legal existe, a proteção real, não. Quando o Estado determina distância e a violência atravessa essa barreira como se fosse papel, precisamos admitir: há uma falh


A estupidez da guerra
A guerra entre Rússia e Ucrânia completa hoje quatro anos e já se tornou parte da paisagem geopolítica, como se a repetição do horror a tornasse aceitável. Tanques, drones, sanções, discursos inflamados, tudo embalado pela narrativa de soberania, segurança e identidade. A guerra sempre encontra palavras elevadas para justificar atos devastadores. É aí que começa sua estupidez, no abismo entre a retórica nobre e a realidade brutal. Não se trata de ingenuidade. Conflitos acompa



























































