

Petróleo, renda e o paradoxo da pobreza
A Folha de S.Paulo publica hoje matéria sobre a concentração na distribuição de renda do pré-sal no Brasil. Ela aborda a decisão que beneficia poucos municípios no país, mas se atém apenas aos motivos do por quê isso acontece e as razões que levam o STF a não destravar a discussão. A pergunta é legítima, mas prefiro fazer outra: por que cidades que recebem bilhões em royalties seguem com indicadores sociais tão frágeis? Alguns dados recentes ajudam a dimensionar a contradiç


O discurso que não entrega
As empresas falam muito sobre diversidade e inclusão. Está nos discursos, nos relatórios de sustentabilidade, nas campanhas institucionais e nas agendas de RH. O movimento é relevante e, em muitos casos, genuíno. Mas há uma distância evidente entre intenção e prática. E é justamente essa distância que precisamos observar com serenidade, ponderação e espírito crítico. Um exemplo claro dessa dissonância aparece nos dados do relatório “Diversidade, Equidade e Inclusão nas Organi


O prazer que mora na feira
Há experiências que, mesmo atravessando as fases da vida, permanecem como um porto seguro. Ir à feira é uma delas. Não é apenas o gesto funcional de abastecer a despensa. É um ritual de pertencimento. Um convite semanal para desacelerar, conversar, sentir e, de alguma maneira, reconectar-se com a essência do cotidiano. A feira é uma coreografia espontânea onde cores, aromas e sabores se misturam a afetos. Um lugar onde a lógica da pressa dá lugar a uma economia emocional, fei


Memória é método
Ser um bom jornalista vai além da técnica, da apuração correta ou do texto bem acabado. Tudo isso é básico, é premissa. O que diferencia, de fato, o bom jornalista daquele apenas competente é a sua memória informativa e, mais do que isso, o respeito que ele tem por ela. Escrevo este texto provocado por uma leitura feita durante as férias. Um artigo de Paulo Vinicius Coelho, o PVC, sobre a morte de Claudio Mortari, ex-técnico do Sírio e da Seleção Brasileira de basquete. O tex


A cadeira que fica de pé
Há uma cadeira imensa diante do Palácio das Nações, sede da ONU, em Genebra. Ela insiste em permanecer de pé mesmo quando a lógica estrutural diria que ela deveria tombar. A Broken Chair , com seus 12 metros de altura, é mais do que uma obra de arte monumental. É uma declaração. Um alerta global sobre as amputações humanas causadas por minas terrestres e munições de fragmentação. Mas também é, inevitavelmente, uma metáfora poderosa sobre outra forma de mutilação: aquela que


Sala de estar a 10 mil metros de altura
Viajar de avião virou um curioso teste de convivência humana. Em poucas horas, somos apresentados a comportamentos que desafiam qualquer manual básico de civilidade e, confesso, também a nossa paciência. Há o passageiro que assiste a vídeos sem fone, em volume máximo, como se estivesse oferecendo entretenimento coletivo. O que levanta antes do aviso, fura a fila do banheiro e ocupa o corredor como se tivesse prioridade moral. Pais que terceirizam a educação dos filhos para o


A pressa é inimiga da redação
A Fox News, tradicional aliada do presidente Donald Trump, cometeu um erro que rapidamente virou fogo amigo. Ao antecipar a informação sobre o cancelamento de vistos nos Estados Unidos, omitiu um dado essencial. Tratava-se apenas de vistos de imigração. A chamada reduziu tudo a “vistos”, termo amplo em um país que trabalha com mais de uma centena de categorias. O impacto dessa imprecisão foi imediato e desnecessário. Esse tipo de falha não espanta apenas pelo equívoco técnico


A pausa não é luxo. É estratégia.
V ivemos sob a tirania do contínuo. Do fluxo ininterrupto de mensagens, prazos, opiniões, demandas e expectativas. Tudo é urgente, tudo é agora, tudo compete pela nossa atenção. Nesse contexto, a pausa costuma ser vista como fraqueza, descompromisso ou até preguiça. Um erro conceitual grave. A pausa, quando bem compreendida, é um dos atos mais inteligentes de gestão da própria vida. Existem muitas pausas. A pausa curta, entre uma reunião e outra, que evita decisões ruins toma


Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada
Durante minhas férias, fiz questão de encontrar meu grande mentor na arte da negociação. Julián Gutiérrez Conde , ex-CEO, consultor de grandes organizações e escritor com 27 livros publicados, me recebeu em uma tarde fria, no salão silencioso de um hotel antigo, reestilizado, no coração de Madrid. Entre muitos assuntos, análises e reflexões, perguntei a ele o que é mais forte na obsessão humana: o poder ou o dinheiro? Julián não hesitou. Ajustou os óculos, sorriu com a seren


Sombras que nos governam
Há algo inquietante quando revisitamos o mundo invertido de Stranger Things. Aquele subsolo viscoso, onde tudo que conhecemos é distorcido, funciona como uma metáfora para a lógica do poder quando ele se desconecta de qualquer senso de humanidade. Ali, o Devorador de Mentes e Vecna se erguem como arquétipos da ambição que se alimenta do medo, do controle que se sustenta na corrosão do outro, da liderança que se impõe pela intimidação. E, quando olhamos para além da ficção, pe



























































