

Não quero escrever para algoritmos
Escrevo porque escrever me faz pensar. Parece simples, mas talvez seja uma das coisas mais importantes que aprendi ao longo dos anos. Quando começo um texto, quase nunca sei exatamente onde vou chegar. Tenho uma ideia, uma inquietação, alguma coisa que me incomodou ou despertou minha atenção. E, à medida que as palavras aparecem, sou obrigado a organizar o pensamento, buscar informações, considerar outros pontos de vista e, principalmente, desconfiar das minhas próprias cert


A verdade não escolhe lado
A política brasileira conseguiu colocar Nossa Senhora Aparecida no centro da disputa presidencial antes mesmo de outubro chegar. Não por uma manifestação da Igreja, uma decisão do Congresso ou uma proposta de governo. A santa entrou na eleição pelas redes sociais, carregada por uma informação falsa, e acabou produzindo um episódio que diz muito mais sobre o nosso ambiente político do que sobre o assunto que lhe deu origem. A informação que viralizou dizia que Flávio Bolsonaro


A plataforma não controla tudo
Poucas situações explicam tão bem a comunicação contemporânea quanto o que aconteceu nas últimas horas com o Revelando, projeto do podcast Calma Urgente, e o episódio “Grandes Igrejas, Master Negócios”, apresentado por Fábio Porchat. O vídeo foi publicado na segunda-feira, 21 de setembro. Em menos de 24 horas, chegou ao primeiro lugar do ranking Hype do YouTube. No Instagram, os cortes do episódio já haviam alcançado cerca de 6 milhões de visualizações, além de milhares de co


A longevidade depende de quem ainda trabalha
A notícia parece, à primeira vista, uma celebração da longevidade. E é. O Japão acaba de ultrapassar uma marca que, até pouco tempo atrás, pareceria improvável: 107.677 pessoas com 100 anos ou mais, o maior número desde o início dos registros, em 1963. São quase 8 mil centenários a mais do que no ano anterior. 88% são mulheres. Mas existe uma segunda leitura, menos óbvia e talvez mais importante para o futuro das sociedades. O Japão está mostrando que viver mais não é apenas


O batom na cueca configura pouca coisa
No Brasil, parece que nem o batom na cueca é suficiente. Temos imagens, gravações, mensagens, documentos, transferências bancárias, quebras de sigilo e operações policiais que apreendem computadores, celulares e contratos. Ainda assim, frequentemente terminamos no mesmo lugar: indignação por alguns dias, uma enxurrada de opiniões nas redes sociais e, depois, é vida que segue. Os casos recentes são eloquentes. A investigação do Banco Master reúne mensagens, áudios, registros d


A democracia também se faz ouvir
Uma democracia madura não é aquela onde todos concordam, mas aquela em que todos podem discordar sem que a divergência vire ameaça. O que estamos vendo no Brasil nestes últimos dias merece atenção, porque executivos, artistas e integrantes da sociedade civil decidiram se manifestar. Não para substituir instituições, muito menos para condenar pessoas ou antecipar julgamentos, mas para pedir algo básico em uma república: transparência, apuração, responsabilidade e respeito aos


Quando as gerações se encontram
Há um movimento que merece ser reconhecido nas empresas: a valorização, cada vez maior, da presença de diferentes gerações no ambiente de trabalho. De um lado, profissionais mais jovens, trazendo repertórios digitais, novas referências, velocidade e uma disposição natural para questionar aquilo que parece estabelecido. De outro, profissionais mais experientes, carregando conhecimento, memória organizacional, capacidade de julgamento e aprendizados que nenhum curso consegue re


Estamos ensinando menos em um mundo que precisa aprender mais
Os resultados do PISA 2025 deveriam nos fazer parar por alguns minutos. A avaliação, aplicada a mais de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países mostrou uma queda expressiva no desempenho educacional dos países da OCDE. Entre 2015 e 2025, foram menos 28 pontos em leitura e 22 em matemática. Um em cada cinco jovens apresenta baixo desempenho simultaneamente em leitura, matemática e ciências. No Brasil, algumas matérias destacaram redução na distância com os países mais desen


Quando o passado fica cor-de-rosa
Nossa memória costuma pregar algumas peças. Uma delas tem a ver com a sensação de que o ontem foi melhor do que o hoje. Quanto mais distante fica um determinado período, maior passa a ser a nossa tendência de enxergá-lo com mais carinho do que ele merecia. A psicologia tem um nome para isso: rosy retrospection. O conceito foi formulado pelos psicólogos Terence Mitchell e Leigh Thompson, em 1994, para descrever nossa tendência de lembrar experiências passadas de maneira mais p


Mais um homem que nos envergonha
Uma médica de 37 anos foi encontrada morta a facadas dentro do próprio apartamento, em Maringá, no Paraná. Ao lado dela estava o filho, um bebê de apenas oito meses. O marido, de 25 anos, foi preso sob suspeita de feminicídio. A investigação ainda está em curso e caberá à Justiça estabelecer responsabilidades. Mas há algo que já podemos discutir. Mais uma mulher morta. Mais uma família destruída. Mais uma criança que crescerá sem a mãe. E mais um homem que, se confirmadas as



























































