Quando as redes nos lembram por que existem
- há 14 horas
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Muito se falou, nos últimos dias, sobre a saúde de Lito Sousa. Não gosto muito do termo “influenciador” para defini-lo. Lito é muito mais do que isso. É piloto, mecânico de aviação, especialista em segurança aérea, professor e, sobretudo, alguém que construiu uma relação de confiança com milhões de pessoas que agora estão preocupadas com ele. Eu sou uma delas.
Não pretendo falar aqui sobre a doença rara que enfrenta, sobre seu diagnóstico ou sobre o drama que ele, Mila e a família estão vivendo. Prefiro olhar para outra coisa que este episódio revelou: a extraordinária capacidade de mobilização que as redes sociais podem produzir quando uma multidão decide colocar sua energia em torno de uma causa humana.
É bonito observar o que está acontecendo. Pessoas que nunca conheceram Lito estão procurando médicos, pesquisadores, universidades e centros de pesquisa em diferentes partes do mundo. Compartilham informações, traduzem mensagens, fazem contatos, procuram caminhos. Um piloto chegou a desenhar o nome Lito no céu dos Estados Unidos. E a mobilização digital chegou até o Broad Institute of MIT and Harvard, que informou ter entrado em contato com a equipe de Lito para avaliar possibilidades.
Não sabemos onde essa corrente vai chegar. Nem se será capaz de produzir o tratamento que todos desejam. A ciência tem seus tempos, seus protocolos, seus limites e suas próprias verdades. Esperança não substitui conhecimento científico. Mas existe algo poderoso em perceber que, diante de uma situação aparentemente impossível, tanta gente se recusa simplesmente a assistir.
Talvez essa seja uma das faces mais bonitas das redes: a capacidade de transformar audiência em presença. De transformar uma pessoa em causa. De fazer com que alguém diante de uma situação absolutamente particular descubra que não está sozinho. E que uma mensagem publicada em uma tela pode, algumas vezes, viajar muito mais longe do que seu autor imaginava.
Lito passou anos ajudando pessoas a perder o medo de voar. Explicou aviões, desmontou mitos, traduziu a complexidade da aviação para quem não entendia nada do assunto. Provavelmente essa seja a razão pela qual tanta gente agora queira, de alguma maneira, fazer alguma coisa por ele. Não é apenas admiração. É reciprocidade.
Não sei qual será o desfecho desta história. Ninguém sabe. Mas gosto de pensar que, enquanto houver gente procurando uma alternativa, alguém fazendo uma ligação, outro compartilhando uma informação, um pesquisador prestando atenção e milhares de pessoas mantendo uma corrente de esperança, ainda haverá alguma coisa que possamos fazer.
Essa é mais uma grande lição que Lito está nos ensinando: às vezes, uma pessoa não precisa conhecer milhões de pessoas para ser capaz de mobilizar tantas outras. Basta ter construído, ao longo da vida, uma relação verdadeira com elas.
O resto, como na aviação, é uma questão de encontrar uma rota possível.

Imagem: IA via Nano Banana




























































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