A fábula da Corte e do banqueiro
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Era uma vez um reino chamado Sã Consciência. No centro do reino erguia-se uma imponente Corte de Justiça. Na entrada, uma inscrição dizia: “Aqui, a Justiça é cega.”
O problema é que, em algum momento da história, ninguém soube explicar onde a venda havia sido guardada.
Um dia, surgiu o Banco das Maravilhas, comandado por Dom Magnífico, banqueiro que conhecia gente demais nos lugares certos. Ministros. Empresários. Parlamentares. Magistrados.
O caso chegou à Corte.
Dom Excelentíssimo, responsável pela condução, declarou: “É preciso separar as instituições das relações pessoais.”
O povo achou sensato. Até perceber que as relações pessoais eram justamente o que todos tentavam entender. Então o Conselheiro Prudêncio fez uma pergunta inconveniente: “Excelência, se não há nada de errado, por que estamos todos tão empenhados em explicar que não há nada de errado?”
Silêncio.
“Prudêncio, você não compreende a complexidade institucional.”
“É possível. Sou do povo. Temos um hábito perigoso: compreender certas coisas de forma simples.” Enquanto isso, uma comissão investigava as investigações, outra investigava a comissão e uma terceira estudava a competência das duas primeiras.
Quando perguntaram quem estava apurando tudo aquilo, veio a resposta: “Pessoas competentes.”
“E têm relação com os envolvidos?”
“Isso é uma questão secundária.”
No reino, “secundária” significava: “não vamos falar disso agora.”
Foi então que a velha Coruja da Sã Consciência resolveu falar: “Uma instituição não perde credibilidade apenas quando comete uma ilegalidade. Também pode perdê-la quando cria a percepção de que existem regras diferentes para pessoas diferentes.”
“E a confiança?”, perguntou alguém.
"A confiança não precisa de uma sentença para morrer.”
“Então como morre?”
“De pequenas dúvidas acumuladas. Uma reunião mal explicada. Uma relação mal esclarecida. Uma resposta que não responde.” A Coruja olhou para a Corte e concluiu: “Quem segura a balança precisa fazer questão de parecer imparcial.”
Naquela noite, Dom Excelentíssimo pediu ao assessor: “Prepare uma nota sobre a importância da confiança nas instituições.”
“E devemos mencionar a Coruja?”
“Não.”
“Por quê?”
“Porque ela faz perguntas demais.”

Imagem: GPT Image




























































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