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A palavra

  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

Há algo estrutural, e pouco tangível, naquilo que sustenta relações duradouras, sejam elas pessoais, institucionais ou comerciais: a palavra. Antes da assinatura, antes do contrato, antes do compliance, existe a afirmação feita, o compromisso assumido, o entendimento estabelecido. A palavra é o primeiro ato formal de qualquer acordo. E, quando respeitada, continua sendo o mais relevante, porque é dela que nasce a confiança que viabiliza qualquer relação de longo prazo.


Vivemos um tempo em que a formalização jurídica ganhou protagonismo, o que de certa forma é saudável e necessário. Mas nenhuma cláusula substitui a coerência entre o que se diz e o que se faz. Organizações sólidas compreendem que reputação se constrói com estratégia, mas acima de tudo com consistência.


Cumprir prazos, honrar compromissos, sustentar promessas feitas em reuniões, em uma chamada, em um e-mail, uma mensagem de WhatsApp, em negociações ou conversas informais é o que transforma discurso em credibilidade. E credibilidade é ativo. Confiança, por sua vez, é o capital que esse ativo movimenta.


Em praticamente todos os ambientes onde interesses são legítimos e muitas vezes divergentes, a palavra tem peso institucional. Ela sinaliza intenção, orienta expectativas e organiza confiança. Quando alguém empenha a palavra, está oferecendo mais do que uma informação, está oferecendo previsibilidade. E previsibilidade é um dos pilares da boa governança, da estabilidade das relações e da redução de riscos reputacionais.


É claro que contextos mudam. Cenários econômicos se alteram, prioridades estratégicas são revistas, circunstâncias impõem ajustes. Ainda assim, a maturidade institucional não está em jamais rever decisões, mas em fazê-lo com transparência e diálogo, preservando a integridade do compromisso original ou renegociando-o de maneira clara. 


O que fragiliza relações não é a mudança, mas a ruptura silenciosa da palavra dada. E, com ela, a erosão da confiança construída.


No fim, a palavra é uma escolha diária. Não é retórica, é prática. Ela exige disciplina, memória e responsabilidade. Em um ambiente saturado de promessas rápidas e declarações efêmeras, manter a palavra é um diferencial competitivo e humano. É um gesto simples, mas estratégico: o de dizer, fazer e sustentar. 


Porque confiança não se impõe por contrato. Ela se consolida na repetição coerente dos atos. E isso, ainda hoje, continua sendo uma das formas mais elegantes de liderança.



Foto: Supriya Chuhan | Unsplash

 
 
 

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