

Quando o coração pede pausa
O episódio vivido por Oscar, do São Paulo, emociona e inquieta. Em plena atividade, um desconforto durante o treino revelou uma arritmia cardíaca e o levou ao hospital. De repente, a rotina, o campo, a bola, tudo parou. E com essa pausa veio a pergunta que talvez assuste qualquer profissional: o que fazer quando a vida pede um tempo daquilo que mais amamos fazer? Oscar é só o espelho mais visível de algo que pode atravessar qualquer carreira. Às vezes é o corpo que desacelera


O diálogo que o clima exige
Não sou especialista em clima. Reconheço isso com franqueza e, justamente por essa razão, escolho falar sobre outra coisa: a comunicação que fazemos, ou deixamos de fazer, em torno dos fatos que respiramos, sentimos e às vezes negamos. Estamos na COP30 Brazil . Ela nos lembra que se trata de uma agenda global e, antes de tudo, humana. Por isso é preciso debatê-la com clareza e ética. Há uma guerra de narrativas: “mudança climática sim” versus “isso é ciclo natural”. E como t


O Brasil que envelhece
O tema escolhido pelo ENEM deste ano foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Não à toa. Ele convida o país a refletir sobre algo que vai além da biologia. Fala de estrutura, de economia e, sobretudo, de futuro. O país está envelhecendo. E isso, longe de ser uma má notícia, revela o avanço da medicina, da ciência e das condições de vida. A longevidade é uma conquista, mas também traz desafios que precisam ser encarados com maturidade e planejamento


O direito de mudar
Há uma pressa, quase automática, em transformar toda decisão corporativa em símbolo de traição de valores. Está sendo assim com o Nubank . A empresa, que construiu sua reputação sobre autonomia e cultura digital, anunciou o fim do modelo totalmente remoto. E logo virou alvo de críticas. Acusam a empresa de incoerência, de conservadorismo, de retroceder. Talvez o que esteja acontecendo seja apenas o amadurecimento natural de uma organização que cresceu e agora busca equilíbri


O tempo cobra atualização
Oswaldo de Oliveira e Emerson Leão, dois nomes consagrados de uma passada e vitoriosa era do futebol brasileiro, protagonizaram na última segunda-feira, no 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, na sede da CBF, um momento constrangedor diante de Carlo Ancelotti, técnico italiano e hoje comandante da Seleção Brasileira. Em suas falas, ambos deixaram transparecer algo mais profundo que o desconforto: a dificuldade de aceitar que o tempo passa, que o mundo muda, e que a


Quando a folha em branco diz muita coisa
Há dias em que as ideias simplesmente não vêm. A cabeça parece um corredor vazio, ecoando apenas o som do próprio passo. A folha em branco nos encara com um silêncio que pesa. E tudo bem. A verdade é que não nascemos para funcionar em linha de produção. A mente humana não é uma usina de ideias que trabalha sob demanda, nem o coração um motor que aceita ordens. Há dias em que o mais sábio é aceitar o vazio, respirar e deixar o tempo fazer o seu trabalho. Lembro de um dia, an


O avesso do significado
Os últimos acontecimentos no Brasil e a conversa com um grande amigo da imprensa profissional me levaram a escrever este texto. É que o discurso tem se tornado um território de disputa tão intenso quanto o poder que ele representa. Palavras como ética, propósito e transparência, antes alicerces de sentido, parecem hoje recicladas em versões que já não contêm o espírito original. É o que a psicanálise e a filosofia chamam de perversão simbólica. Quando símbolos são mantidos, m


A ilusão dos holofotes
O episódio desta semana do Profissão Repórter expôs uma radiografia inquietante do nosso tempo: o sonho de ser influenciador digital tornou-se, para muitos jovens, um objetivo de vida mais cobiçado que qualquer formação acadêmica. Caco Barcellos e sua equipe mostraram, com a lucidez de quem observa e não julga, um universo em que o desejo de reconhecimento parece ter superado o da realização. De um lado, há adolescentes que, munidos apenas de um celular e alguma astúcia, con


O eclipse da estrela. Quando talento não substitui disciplina
O clássico do final de semana vencido pelo Real Madrid diante do Barcelona, sob o comando do técnico Xabi Alonso, trouxe um episódio além da rivalidade esportiva. Ao ser substituído aos 27 minutos do segundo tempo, o atacante Vinícius Júnior reagiu indignado, com gestos e palavrões. Dirigiu-se ao vestiário e voltou ao banco claramente incomodado. Esse comportamento revela muito sobre o que a idolatria a um jogador pode esconder: a crença de que o “momento estrela” confere imu


O preço do abandono
EXCLUSIVO O Rio de Janeiro voltou a ser manchete pelo motivo errado. A megaoperação contra o tráfico que deixou dezenas de mortos reacende um drama que não é apenas policial, mas institucional e sobretudo humano. Há décadas, o país convive com a erosão silenciosa da autoridade pública, substituída pela força paralela do crime organizado, que ocupa o espaço onde o Estado se ausentou. A guerra de hoje é apenas o capítulo mais recente de um abandono que se estende por gerações.



























































