Mais um homem que nos envergonha
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Uma médica de 37 anos foi encontrada morta a facadas dentro do próprio apartamento, em Maringá, no Paraná. Ao lado dela estava o filho, um bebê de apenas oito meses. O marido, de 25 anos, foi preso sob suspeita de feminicídio. A investigação ainda está em curso e caberá à Justiça estabelecer responsabilidades.
Mas há algo que já podemos discutir.
Mais uma mulher morta. Mais uma família destruída. Mais uma criança que crescerá sem a mãe.
E mais um homem que, se confirmadas as suspeitas, não soube lidar com aquilo que nenhum adulto deveria transformar em violência: frustração, rejeição, ciúme, perda ou o fim de uma relação.
É difícil não chamar de imbecil um homem que acredita ter algum direito sobre a vida de uma mulher.
E esses homens fazem um enorme desserviço aos demais.
Eles ajudam a alimentar uma percepção dolorosa para nós, homens. A de que por trás de um relacionamento pode existir controle, ameaça e violência.
Precisamos falar disso entre nós.
Porque a violência raramente começa na agressão física. Pode começar no controle. Na cobrança. Na vigilância. No ciúme tratado como demonstração de amor. Na incapacidade de aceitar um “não”. Na ideia de que uma mulher que termina uma relação está humilhando o homem.
Não está. Ela só está exercendo sua liberdade.
Uma das maiores dificuldades de parte dos homens está justamente em lidar com a própria insegurança. Fomos educados, durante gerações, a não demonstrar medo, tristeza ou fracasso. “Homem não chora.” “Homem não perde.” “Homem tem que se impor.”
O problema é quando essa frustração não encontra palavras e vira raiva. E quando a raiva vira controle.
Nada disso justifica um crime. Entender as possíveis causas não significa desculpar o criminoso. Significa tentar interromper o caminho antes que ele termine em tragédia.
Precisamos ensinar nossos filhos a ouvir “não”. A aceitar uma rejeição. A compreender que uma mulher pode terminar uma relação.
Ela pode mudar de ideia. Pode escolher outro caminho. E nada disso diminui um homem. Ao contrário. Um homem verdadeiramente forte é aquele que consegue administrar sua força. Que procura ajuda quando não consegue lidar sozinho com suas emoções. Que respeita a liberdade de quem ama.
Por isso, quando um homem mata uma mulher, não devemos procurar explicações que relativizem sua responsabilidade.
Devemos chamar as coisas pelo nome. Isso não é amor. É posse. Isso não é ciúme. É controle. Isso não é masculinidade. É covardia. E cada um desses imbecis destrói um pouco da reputação de todos nós.
Passou da hora de nós, homens, sermos os primeiros a dizer isso.





























































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