

A crueldade diante do goleiro
Há uma solidão que só o goleiro conhece. Ela não aparece nos treinos, nas entrevistas ou nas fotografias da equipe. Surge apenas no instante em que a bola escapa, cruza a linha e o estádio inteiro encontra um culpado. Em poucos segundos, uma trajetória construída ao longo de anos parece desaparecer. Nesta Copa do Mundo, isso aconteceu novamente. Fernando Muslera defendeu o Uruguai com dedicação ao longo de quase duas décadas. Acumulou partidas memoráveis, classificações histó


A IA influencia stakeholders, mas não é um deles
Na semana passada, participei de uma mesa de debates. Entre os diversos temas relacionados à reputação, comunicação e tecnologia, uma pergunta chamou minha atenção: a Inteligência Artificial é um stakeholder? A pergunta é boa. Talvez justamente porque sua resposta pareça óbvia para alguns e revolucionária para outros. Minha visão é clara: não, a Inteligência Artificial não é um stakeholder. E talvez seja importante dizer isso neste momento em que existe uma tendência cr


O talento não deveria comprar absolvição
O Brasil tem uma relação interessante com seus ídolos no futebol. Quando alguém demonstra um talento extraordinário, passamos a tratá-lo como se esse dom fosse uma espécie de salvo-conduto moral. A qualidade passa a funcionar como uma licença sem limites. É um fenômeno que atravessa o futebol, a política, os negócios e até o nosso cotidiano. Nos últimos anos, ouvimos inúmeras vezes a mesma frase: "Setenta por cento do craque ainda é melhor do que qualquer outro jogador." Talv


A conta que poucos fazem
Tenho em casa dois equipamentos da mesma marca. Um deles foi comprado em 2008. O outro, em 2012. Ambos continuam funcionando bem. Muito bem. Um terceiro, adquirido em 2019, apresentou uma falha séria em apenas dois anos. Essa constatação me fez pensar: o que realmente determina a longevidade de um produto? A resposta mais fácil seria dizer que as coisas antigamente eram melhores. Mas respostas fáceis costumam esconder questões complexas. Os três produtos foram fabricados pela


Amizades de passagem
Vire e mexe uma pergunta me vem à mente: por que algumas amizades passam por nossas vidas e, quando percebemos, já seguiram outro caminho? Não há briga. Não há rompimento. Não há decepção. Em muitos casos, sequer há despedida. A vida simplesmente segue. Durante anos convivemos diariamente. Compartilhamos projetos, viagens, alegrias, preocupações, sonhos e dificuldades. Pareciam personagens permanentes da nossa história. Hoje não sabemos onde moram. Não conhecemos seus novos a


Os anos "UAU"!
Há uma sensação curiosa que só o tempo é capaz de nos proporcionar. Quando estamos vivendo um grande momento profissional, quase nunca percebemos sua importância. Estamos ocupados demais trabalhando, resolvendo problemas, entregando resultados, lidando com prazos, conflitos, expectativas e desafios. Estamos dentro da história. Não temos a distância necessária para enxergá-la. Só anos depois, olhando para trás, é que algumas fichas começam a cair. Ao revisitar minha trajetória


























































