

A ficção, enfim, entrou em casa
R2D2, C3PO, Rosie, Wall-E, HAL 9000, T-800. Durante décadas, esses personagens foram apenas projeções do que um dia poderia existir. Hoje percebo que eles foram, na verdade, exercícios preparatórios. Ensaios emocionais para algo que já está acontecendo. Pela primeira vez, a ficção não está mais distante da realidade. Ela está prestes a entrar nas nossas casas, nas fábricas, nos escritórios. E nas ruas. O curioso é que os primeiros robôs entre nós não tinham rosto humano. Eram


O enigma do afeto nos grupos de família
Quem não participa de um grupo familiar ou comunitário em que uma pessoa mais velha nos envia, com disciplina quase ritual, aquelas mensagens de bom dia, imagens de natureza, reflexões espiritualizadas ou pensamentos otimistas sobre a vida? Às vezes passam batido, outras arrancam um sorriso, mas raramente paramos para perguntar o que realmente sustenta esse hábito tão recorrente, esse pequeno enigma cotidiano. Quando olhamos com mais generosidade, e também com o olhar treinad


O dia em que a infância se despediu
Outro dia, meu filho desceu com um lego debaixo do braço. Como sempre fazia. Disse que ia brincar no salão de jogos do prédio. Eu sorri, como quem vê um ritual conhecido. Poucos minutos depois, ouvi o som do elevador voltando e a porta se abrindo. Ele entrou cabisbaixo, como se tivesse esquecido alguma coisa importante, mas não era uma peça. Ele se sentou no sofá, olhou para mim e, com uma tristeza que não cabia em seus 12 anos, disse: “Pai, não tem mais graça brincar”. Ficam


O mundo é feito de interesses. E tudo bem (#PARTE2)
Chega uma hora em que a gente entende. Entende que nem tudo precisa de presença, que nem todo encontro vale o tempo, que nem toda confraria precisa do nosso nome na lista. E que há um certo prazer em simplesmente não estar, em escolher ficar fora de certos círculos, certos brindes, certos sorrisos obrigatórios. Nada é mais libertador do que poder dizer “não preciso”. Porque o mundo é, sim, feito de interesses. Mas há um tipo de paz que só chega quando deixamos de disputar rel


O mundo é feito de interesses. E tudo bem (#PARTE1)
Não há relação humana, política ou corporativa que não carregue uma dose de interesse por poder, reconhecimento, segurança, afeto, influência ou pertencimento, para citar alguns. Fingir que vivemos movidos apenas por ideais puros é negar a própria natureza do convívio humano. O interesse é o que nos move e, paradoxalmente, o que nos testa. O problema não está no interesse em si, mas na forma como o administramos. Há quem o transforme em instrumento de cooperação, criando pont


Quando o coração pede pausa
O episódio vivido por Oscar, do São Paulo, emociona e inquieta. Em plena atividade, um desconforto durante o treino revelou uma arritmia cardíaca e o levou ao hospital. De repente, a rotina, o campo, a bola, tudo parou. E com essa pausa veio a pergunta que talvez assuste qualquer profissional: o que fazer quando a vida pede um tempo daquilo que mais amamos fazer? Oscar é só o espelho mais visível de algo que pode atravessar qualquer carreira. Às vezes é o corpo que desacelera


O diálogo que o clima exige
Não sou especialista em clima. Reconheço isso com franqueza e, justamente por essa razão, escolho falar sobre outra coisa: a comunicação que fazemos, ou deixamos de fazer, em torno dos fatos que respiramos, sentimos e às vezes negamos. Estamos na COP30 Brazil . Ela nos lembra que se trata de uma agenda global e, antes de tudo, humana. Por isso é preciso debatê-la com clareza e ética. Há uma guerra de narrativas: “mudança climática sim” versus “isso é ciclo natural”. E como t


O Brasil que envelhece
O tema escolhido pelo ENEM deste ano foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Não à toa. Ele convida o país a refletir sobre algo que vai além da biologia. Fala de estrutura, de economia e, sobretudo, de futuro. O país está envelhecendo. E isso, longe de ser uma má notícia, revela o avanço da medicina, da ciência e das condições de vida. A longevidade é uma conquista, mas também traz desafios que precisam ser encarados com maturidade e planejamento


O direito de mudar
Há uma pressa, quase automática, em transformar toda decisão corporativa em símbolo de traição de valores. Está sendo assim com o Nubank . A empresa, que construiu sua reputação sobre autonomia e cultura digital, anunciou o fim do modelo totalmente remoto. E logo virou alvo de críticas. Acusam a empresa de incoerência, de conservadorismo, de retroceder. Talvez o que esteja acontecendo seja apenas o amadurecimento natural de uma organização que cresceu e agora busca equilíbri


O tempo cobra atualização
Oswaldo de Oliveira e Emerson Leão, dois nomes consagrados de uma passada e vitoriosa era do futebol brasileiro, protagonizaram na última segunda-feira, no 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, na sede da CBF, um momento constrangedor diante de Carlo Ancelotti, técnico italiano e hoje comandante da Seleção Brasileira. Em suas falas, ambos deixaram transparecer algo mais profundo que o desconforto: a dificuldade de aceitar que o tempo passa, que o mundo muda, e que a





























































