O mundo é feito de interesses. E tudo bem (#PARTE1)
- Luis Alcubierre

- 12 de nov.
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de nov.
Não há relação humana, política ou corporativa que não carregue uma dose de interesse por poder, reconhecimento, segurança, afeto, influência ou pertencimento, para citar alguns. Fingir que vivemos movidos apenas por ideais puros é negar a própria natureza do convívio humano. O interesse é o que nos move e, paradoxalmente, o que nos testa.
O problema não está no interesse em si, mas na forma como o administramos. Há quem o transforme em instrumento de cooperação, criando pontes e resultados coletivos. E há quem o use como arma, para controlar, manipular e excluir. A linha que separa uma coisa da outra é muito fina, mas é nela que mora o caráter.
Na política, os interesses se institucionalizam. No mercado, se profissionalizam. Nas relações pessoais, se disfarçam de intenções. Em todos os casos, o desafio é o mesmo: preservar a autenticidade. Ser capaz de reconhecer o próprio interesse e ainda assim agir com ética, transparência e empatia.
O interesse não é o oposto do valor. Ele é o campo onde os valores são testados. É nele que se vê quem negocia sem trair princípios, quem avança sem corromper o outro, quem conquista sem destruir. E é justamente aí que mora a diferença entre o oportunista e o profissional íntegro, entre o político e o estadista, entre o influenciador e o líder.
Vivemos em um mundo de barganhas simbólicas. Cada gesto, cada aliança, cada silêncio tem um preço. Entender isso não é cinismo. É lucidez. E quando aceitamos essa verdade, passamos a escolher melhor as causas que abraçamos, os parceiros que respeitamos e os limites que não ultrapassamos.
Porque, sim, o mundo é feito de interesses. Mas é também feito de escolhas. E são essas escolhas, silenciosas, diárias e invisíveis que definem se nossos interesses nos conduzem onde queremos e merecemos estar.

Foto: Joakim Kingstrom | Unsplash





























































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