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O mundo é feito de interesses. E tudo bem (#PARTE2)

Atualizado: 14 de nov.

Chega uma hora em que a gente entende. Entende que nem tudo precisa de presença, que nem todo encontro vale o tempo, que nem toda confraria precisa do nosso nome na lista. E que há um certo prazer em simplesmente não estar, em escolher ficar fora de certos círculos, certos brindes, certos sorrisos obrigatórios. Nada é mais libertador do que poder dizer “não preciso”.


Porque o mundo é, sim, feito de interesses. Mas há um tipo de paz que só chega quando deixamos de disputar relevância e passamos a buscar sentido. Quando paramos de querer ser lembrados e passamos a querer ser inteiros. É quando a necessidade de aceitação dá lugar à leveza de escolher o que realmente importa: os vínculos verdadeiros, as causas sinceras, as pessoas que somam sem que você precise ganhar alguma coisa.


Quem está por baixo busca naturalmente mudar de posição. E quem está por cima, deveria lembrar que nem sempre foi assim, e que um gesto generoso, feito com sinceridade, costuma voltar na hora certa, não como moeda, mas como humanidade. Ajudar não deveria ser cálculo, deveria ser instinto. A caridade pensada como investimento é só outro tipo de negócio. E negócios, por definição, têm prazo. Já a gentileza, quando autêntica, é memória com o passar do tempo.


O jogo existe, é claro. Há regras, alianças, interesses. É preciso entendê-lo para não ser engolido por ele. Mas compreender o jogo não significa se tornar refém dele. Significa saber até onde ir, quando recuar e, principalmente, quando sair da mesa.


Porque no fim, o que nos define não é o quanto estamos ganhando, mas o quanto conseguimos permanecer fiéis a nós mesmos enquanto o mundo gira em torno dos seus próprios interesses, porque eles existem. E tudo bem.


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Foto: Peter Steiner | Unsplash

 
 
 

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