Quando o coração pede pausa
- Luis Alcubierre

- 12 de nov.
- 2 min de leitura
O episódio vivido por Oscar, do São Paulo, emociona e inquieta. Em plena atividade, um desconforto durante o treino revelou uma arritmia cardíaca e o levou ao hospital. De repente, a rotina, o campo, a bola, tudo parou. E com essa pausa veio a pergunta que talvez assuste qualquer profissional: o que fazer quando a vida pede um tempo daquilo que mais amamos fazer?
Oscar é só o espelho mais visível de algo que pode atravessar qualquer carreira. Às vezes é o corpo que desacelera. Outras, é o mercado, a empresa, a tecnologia, ou simplesmente o tempo, esse grande redirecionador de trajetórias. Em algum momento, todos somos convidados a lidar com a interrupção de um ciclo. E esse convite, quase nunca desejado, traz com ele a chance rara de reencontro com aquilo que, de fato, nos move.
O impacto da pausa é profundo. Não é só o medo da incerteza, é o vazio de quem perde o chão cotidiano, o sentido de pertencer a algo maior. Talvez por isso as palavras do meu cardiologista, com quem tive coincidentemente uma consulta de rotina ontem, ganhe peso: “O coração tem seus limites. Escutá-lo é o primeiro passo para seguir vivendo.” Há sabedoria nessa frase , não apenas médica, mas humana.
Há quem veja nesse tipo de ruptura uma sentença. Outros, um desvio que pode revelar caminhos. Quando uma carreira precisa ser interrompida, o que se perde é claro. O que pode nascer, nem sempre. É nesse intervalo entre o medo e o possível que mora o futuro. E é ali que o profissional mais maduro aprende a transformar o susto em escuta, e a escuta em movimento.
No fundo, a história de Oscar não fala apenas sobre futebol. É sobre todos nós. Sobre aceitar que até o mais preparado pode precisar parar. Que o talento não se esgota, apenas muda de forma. E que, quando o coração pede pausa, talvez seja a vida avisando que é hora de seguir de outro jeito, em outro ritmo, mas ainda com propósito.

Foto: Rubens Chiri/Saopaulofc.net





























































Comentários