Amizades de passagem
- há 19 horas
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Vire e mexe uma pergunta me vem à mente: por que algumas amizades passam por nossas vidas e, quando percebemos, já seguiram outro caminho? Não há briga. Não há rompimento. Não há decepção. Em muitos casos, sequer há despedida.
A vida simplesmente segue.
Durante anos convivemos diariamente. Compartilhamos projetos, viagens, alegrias, preocupações, sonhos e dificuldades. Pareciam personagens permanentes da nossa história.
Hoje não sabemos onde moram. Não conhecemos seus novos amigos. Não acompanhamos suas conquistas. Às vezes nem temos seus telefones. E, ainda assim, continuam fazendo parte de quem somos.
É curioso como aprendemos desde cedo a valorizar os relacionamentos que duram. Existe uma admiração natural pelas amizades de décadas, pelas histórias que atravessam gerações e pelas pessoas que permanecem ao nosso lado. Essa admiração é justa.
Mas ela costuma produzir uma interpretação equivocada. A de que a importância de uma amizade está ligada ao tempo que ela dura.
Nem sempre.
Há amizades de uma vida inteira que tiveram influência limitada sobre quem nos tornamos. E há pessoas que caminharam ao nosso lado durante um breve período e deixaram marcas definitivas. Um colega que abriu uma porta quando ninguém acreditava em nós. Um amigo que esteve presente em um momento difícil.
Alguém que nos apresentou uma ideia, uma oportunidade ou uma forma diferente de enxergar o mundo. A convivência terminou, mas o impacto permaneceu. Pensamos muito sobre os amigos que ficam e pouco sobre os que passam. E, no entanto, eles estão por toda parte em nosso caminho.
O amigo da infância. O companheiro da faculdade. O parceiro de um emprego que já nem existe mais. A pessoa com quem dividimos uma fase intensa da vida e que, anos depois, tornou-se apenas uma lembrança no afeto.
Nenhuma dessas relações fracassou. Essa é uma das conclusões mais interessantes. Estamos acostumados a associar o fim de uma relação ao insucesso. Como se toda amizade tivesse a obrigação de durar para sempre.
A vida não funciona assim. Algumas amizades chegam para acompanhar uma temporada. Outras atravessam capítulos inteiros. Pouquíssimas percorrem o livro todo. Cada uma cumpre um papel diferente.
Os amigos que permanecem são um presente raro. Eles conhecem versões antigas de nós mesmos que já nem existem mais. Viram nossas mudanças, nossos erros, nossas reinvenções.
Mas os amigos de passagem também merecem reconhecimento. São eles que preenchem os espaços entre uma fase e outra. Que tornam determinados períodos mais leves. Que dividem alegrias que sempre sobreviverão na memória.
Participaram de momentos que jamais teriam acontecido da mesma forma sem sua presença. Quando olhamos para trás, percebemos que nossa história não foi construída apenas pelas pessoas que ficaram. Ela também foi construída pelas que seguiram outros caminhos.

Foto: Kevin Gent | Unsplash




























































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