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O papel do pai não é ter todas as respostas

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Há uma coisa sobre ser pai que ninguém nos ensina.

A gente aprende a trocar fraldas, a dar banho, a preparar mamadeira, a acompanhar tarefa, a levar ao médico, a assistir às apresentações da escola. Aprende, com o tempo, a reconhecer o choro, a interpretar um silêncio, a perceber quando aquele “está tudo bem” definitivamente não está tudo bem.

Mas ninguém nos ensina o que fazer quando não sabemos o que fazer. E talvez essa seja uma das partes mais importantes da paternidade. Ser pai não significa ter todas as respostas. Significa, muitas vezes, ser aquele que permanece quando as respostas não existem.

Os filhos crescem em um mundo que não controlamos. Eles terão suas próprias escolhas, suas próprias frustrações, seus medos, seus erros e suas conquistas. Haverá momentos em que poderemos orientar. Outros em que só poderemos observar. E alguns em que tudo o que eles precisarão será saber que existe alguém ali. 

É aí que o papel do pai ganha uma dimensão que vai muito além da autoridade. É segurança.

Não a segurança de quem promete que nada dará errado. Mas a segurança de quem transmite: “se der errado, nós vamos enfrentar juntos”. Isso muda tudo. Também porque ser pai não é ocupar o centro da cena.

Há momentos em que precisamos ser protagonistas. Há outros em que precisamos ser coadjuvantes. E existe uma sabedoria enorme em saber distinguir uns dos outros. Na criação dos filhos, o pai não é um auxiliar da mãe. É pai. Tem responsabilidade, presença, voz e compromisso. Mas isso não significa disputar espaço, impor maneiras ou transformar cada decisão em uma demonstração de autoridade.

Há situações em que apoiar a mulher é simplesmente reconhecer que ela sabe mais. Outras em que é assumir uma parte do peso sem esperar que ela peça. E outras, ainda, em que é preciso estar ao lado dela quando nem ela sabe exatamente o que fazer.

Criar filhos é também uma parceria entre dois adultos que, muitas vezes, estão tentando descobrir juntos como fazer aquilo da melhor maneira possível. E essa possivelmente seja outra verdade pouco dita sobre a paternidade: os pais também têm incertezas.

Eles têm medo de errar. De não serem suficientemente presentes. De não saberem conversar sobre determinado assunto. De não conseguirem proteger os filhos de tudo aquilo que gostariam. Acontece que a paternidade não exige perfeição. Exige presença.

O pai que está ali aprende junto. Erra, pede desculpas, corrige o caminho. Escuta. Coloca limites quando precisa. Dá liberdade quando percebe que chegou a hora. E entende que educar não é moldar um filho à sua imagem, mas ajudá-lo a construir a própria.

Há pais que abandonam. Há pais que aparecem apenas quando lhes convém. Há pais que confundem autoridade com medo, provisão financeira com presença ou presentes com afeto. Eles existem. Mas não deveriam ser a régua pela qual medimos a paternidade. Prefiro olhar para aqueles que fazem o trabalho em silêncio.

Os que sabem o nome dos amigos dos filhos. Os que conhecem suas dificuldades na escola. Os que aparecem nas pequenas coisas, e não apenas nas fotografias das grandes ocasiões. Os que acompanham sem controlar. Os que orientam sem humilhar. Os que colocam limites sem retirar o afeto. Os que sabem dizer “não sei”. E, principalmente, os que sabem dizer “estou aqui”.

Essa talvez seja essa a maior contribuição de um pai para a formação de um filho: não construir uma vida sem problemas, mas construir dentro dele a confiança de que problemas podem ser enfrentados.

Um filho não precisa de um pai que saiba tudo. Precisa de alguém que não desapareça quando a vida fica difícil. Precisa de alguém que consiga ser firme sem deixar de ser acolhedor. Que saiba proteger sem impedir o crescimento. Que ofereça liberdade sem abandonar. Que esteja presente sem precisar controlar cada passo. E precisa, principalmente, descobrir que amor não é apenas aquilo que se diz. É aquilo que se faz repetidamente, ainda mais quando ninguém está olhando.

Ao fim e ao cabo, devemos como pai saber conduzir os filhos pela vida, mas sobretudo prepará-los para caminhar por ela com a certeza de que um dia eles seguirão seus próprios caminhos. Ter em mente que o nosso trabalho, então, não será mais estar à frente. Será estar por perto. Não para impedir que caiam. Mas para que saibam que, se caírem, haverá sempre alguém disposto a ajudá-los a levantar.

E essa é uma responsabilidade enorme. E, ao mesmo tempo, um dos maiores privilégios que um homem pode receber.



Imagem: Altanaka | Envato Elements

 
 
 

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