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A democracia também se faz ouvir

há 9 horas
2 min de leitura

Uma democracia madura não é aquela onde todos concordam, mas aquela em que todos podem discordar sem que a divergência vire ameaça. O que estamos vendo no Brasil nestes últimos dias merece atenção, porque executivos, artistas e integrantes da sociedade civil decidiram se manifestar.


Não para substituir instituições, muito menos para condenar pessoas ou antecipar julgamentos, mas para pedir algo básico em uma república: transparência, apuração, responsabilidade e respeito aos limites constitucionais. Não é um movimento isolado.


Entidades como FIESP, CNI, CNC e outras também se posicionaram em defesa de uma sessão pública no Supremo. E, recentemente, mais de 200 representantes da sociedade civil, entre eles empresários, economistas, juristas e sindicalistas, assinaram uma carta de apoio às medidas adotadas pelo presidente do STF, defendendo reformas institucionais, mais colegialidade e mais transparência.


Houve ainda o manifesto “Pela Lei e pelo Brasil”, com 157 signatários, pedindo apuração completa dos fatos, afastamento cautelar de autoridades formalmente investigadas e um código de conduta para cortes superiores. O ponto, acredito, não são os nomes, mas as instituições e a regra republicana de que ninguém está acima da lei.


Empresários não são apenas agentes econômicos. São cidadãos. E como cidadãos, têm o direito e, em certa medida, o dever de participar. Votar é central, mas não é tudo. Opinar, cobrar, fiscalizar e, quando necessário, manifestar indignação de forma contida, equilibrada e responsável faz parte do jogo democrático. Instituições fortes não deveriam temer a crítica. Ao contrário. Devem saber ouvi-la e, quando for o caso, corrigir seus próprios caminhos.


Essa provavelmente seja a dimensão mais republicana deste momento. Em vez de mais gritos, o Brasil precisa de instituições que saibam exercer seu poder na exata função que a própria democracia estabeleceu, e de cidadãos que compreendam que se posicionar, com respeito, equilíbrio e responsabilidade, também é uma forma de cuidar do país.


Em uma democracia, a voz do cidadão não é um incômodo ao poder. É um dos mecanismos que ajudam a mantê-lo dentro dos limites da lei.


Imagem gerada por IA via Adapta ONE

 
 
 

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