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Crise recorrente é falha no sistema

  • há 9 horas
  • 2 min de leitura

Chega uma hora em que a reputação deixa de ser um assunto de comunicação e passa a ser, essencialmente, um tema de governança. O recente caso envolvendo a executiva de uma grande rede do varejo recoloca a discussão no centro da mesa, não como crise isolada, mas como sintoma estrutural.


As investigações indicam um suposto esquema de favorecimento fiscal, com indícios de relações impróprias entre agentes públicos e privados para acelerar créditos tributários. Se confirmados, os fatos expõem indivíduos, mas também fragilidades de controles, cultura e accountability.


Os pontos sensíveis não estão só no fato, mas no nível hierárquico envolvido. Em posições operacionais, fala-se em falha. Na esfera executiva, com poder decisório, o debate é sobre modelo de gestão, critérios de escolha e limites éticos efetivos.


E é nesse momento que surge a resposta padrão: a nota oficial. Correta do ponto de vista jurídico, mas desconectada da sociedade. Cumpre protocolo, mas não reconstrói confiança. Ainda se responde ao telejornal com a clara posição defensiva, de indignação e repúdio, quando o diálogo deveria ser com a opinião pública.


Não é um episódio isolado. Há um histórico recente de crises distintas com a marca, mas com o mesmo denominador: dificuldade de transformar aprendizado em evolução.


A pergunta é direta: onde está a governança?


Governança não é estrutura formal. É prática, cultura e coerência entre discurso e decisão. É impedir que riscos conhecidos se repitam.


Há também uma reflexão mais ampla: quem as empresas estão trazendo para dentro de casa? Performance e resultado seguem centrais, mas integridade e alinhamento de valores ainda são tratados como atributos secundários, quando deveriam ser critérios inegociáveis.


Reputação não nasce na comunicação. Nasce nas decisões. Em todos os níveis, sobretudo na liderança.


Falhas acontecem. Mas há uma linha clara entre o erro tolerável e o inaceitável. E essa linha não pode ser cruzada por aqueles que decidem.


Quando recorrente, deixa de ser crise e passa a ser padrão.



Foto: Maxxyustas | Envato

 
 
 

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