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A disputa pela atenção mudou. E a Comunicação precisa mudar também

  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

Pesquisa da Statista, empresa alemã de inteligência de mercado e dados, fundada em Hamburgo, traz um dado que merece mais atenção de quem trabalha com Comunicação.


Ao perguntar aos consumidores norte-americanos o que consideram importante ao usar as redes sociais, a pesquisa mostra que entretenimento surge em primeiro lugar, com 48% das respostas. Passar o tempo vem com 41%, enquanto conversar com amigos e familiares aparece com 40%.


Conhecer pessoas novas, uma das funções que ajudaram a dar sentido ao conceito de “rede social”, chega a apenas 25%.


Não vejo esses números como uma indicação de que as pessoas deixaram de valorizar relações. Vejo como um sinal de que mudamos a razão pela qual entramos nas plataformas. E isso tem uma consequência direta para as empresas.


Durante muito tempo, tratamos as redes sociais como canais de comunicação. As empresas tinham uma mensagem e procuravam o público. Hoje, a lógica se inverteu. As pessoas entram nas plataformas em busca de alguma coisa que lhes desperte interesse. Até porque o algoritmo se encarrega do resto.


Podem encontrar uma notícia, uma temática, uma história, uma opinião, uma informação ou simplesmente alguns minutos de entretenimento.


A marca aparece no meio dessa disputa.


É aí que a Comunicação precisa rever algumas premissas. A empresa já não disputa atenção apenas com seus concorrentes. Disputa atenção com tudo.


Por isso, a pergunta “o que queremos comunicar?” deixou de ser suficiente.


Precisamos acrescentar outra: “por que alguém deveria querer ver isso?”


A resposta não precisa ser transformar toda comunicação corporativa em entretenimento. Seria uma interpretação simplista dos dados.


Uma empresa pode conquistar atenção oferecendo informação de qualidade, contexto, conhecimento, uma história relevante ou uma opinião consistente.


Pode ajudar as pessoas a compreender uma transformação que afeta suas vidas. Pode trazer para a discussão um tema que ainda não estava sendo percebido.


Isso coloca uma responsabilidade adicional sobre a Comunicação Corporativa.


Em um ambiente em que cada pessoa recebe centenas de estímulos diariamente, a qualidade do conteúdo passa a ter peso estratégico. As empresas precisam conhecer melhor os interesses, as dúvidas e as preocupações de seus públicos e encontrar assuntos nos quais tenham algo legítimo a acrescentar.


O que mudou foi a régua.


Quando existe relevância, a comunicação deixa de ser apenas uma mensagem da empresa e passa a fazer parte da experiência de quem a recebe. E talvez seja justamente aí que esteja o maior desafio para quem comunica: produzir algo que as pessoas não apenas vejam, mas que faça sentido para elas.



Imagem: FabrikaPhoto | Envato

 
 
 

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