A pressa é inimiga da redação
- Luis Alcubierre

- 21 de jan.
- 2 min de leitura
A Fox News, tradicional aliada do presidente Donald Trump, cometeu um erro que rapidamente virou fogo amigo. Ao antecipar a informação sobre o cancelamento de vistos nos Estados Unidos, omitiu um dado essencial. Tratava-se apenas de vistos de imigração. A chamada reduziu tudo a “vistos”, termo amplo em um país que trabalha com mais de uma centena de categorias. O impacto dessa imprecisão foi imediato e desnecessário.
Esse tipo de falha não espanta apenas pelo equívoco técnico, mas pelo rompimento de um princípio básico que sustenta o jornalismo profissional: a checagem rigorosa. Rigor é rigor, inclusive quando atinge aqueles que costumam estar do “mesmo lado”.
O episódio ainda teve um agravante contemporâneo. Na pressa de “subir” a notícia, veículos ao redor do mundo reproduziram por algumas horas a manchete sem o devido contexto, amplificando o erro ao invés de corrigi-lo. A velocidade venceu a precisão e a credibilidade perdeu espaço para o ruído.
O desafio é que, em um ecossistema carregado de viés político, a imprensa não pode abrir mão da isenção. Um veículo tem o dever de ser e parecer imparcial. Quando falha, seja por descuido ou por excesso de confiança na velocidade, compromete sua função institucional: esclarecer, contextualizar, orientar.
A imprensa profissional não é imune a erros, mas o que diferencia o jornalismo responsável é a disciplina de verificar informações antes de compartilhá-las. A credibilidade não é um ativo adquirido, é uma reconquista diária. E cada linha publicada carrega esse pacto silencioso com a sociedade: informar com rigor, sem atalhos e sem concessões ao imediatismo.
A lição é simples, mas estratégica para o mundo da comunicação. Quando a checagem perde espaço, a narrativa perde valor. E a sociedade perde clareza.






























































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